sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O que ele mais queria e, sabia que o ia conseguir, era após a passagem desta data simbólica, reencontrar-se consigo mesmo, retomar o rumo de sua vida, voltar a sentir o gosto de surpreender-se a si próprio - mais até do que aos outros - como em muitas ocasiões já o fizera.
Queria e sabia que ia fazê-lo. Voltar ao universo magnífico da motivação de tentar chegar a novos planetas, do conhecimento de novas estrelas, da conquista de espaço. Tudo isso ele queria fazer com a nave que já possuía. E por saber que assim o queria, sabia que esta meta seria atingida.
Aliás, ele até já a alcançara, sem o saber. O convite à motivação e ao desejo de ir mais longe, bastara para mudar todo o universo à sua volta.
Foi à janela e viu onde estava, já no alto. Ouviu a campainha tocar e abriu a porta sem perguntar quem era. A motivação entrou-lhe de sopetão, tomou posse do seu corpo, que se revigorou de imediato.
Agora era invencível.

JoeSatrianiLx

Afinal já não é preciso ver Joe Satriani no Reino Unido.
Ele vem ao Coliseu dos Recreios no dia 30 de Abril.

Anarquia e sociedade, actual e muito antiga - uma divagação

Anarquismo? Para quê?
Para isso já bastam os EUA com as questões do clima e a vontade das entidades patronais em relação aos direitos dos trabalhadores. A posição da Juventude Popular, a sua pretensão de abolição do conceito de salário mínimo é um bom exemplo de desejo de anarquia.
Não, anarquismo não. Ainda por cima quando temos todos este neo-liberalismo capitalista e selvagem se instalando (e que ainda pode ser mais aprofundado).
Tem de haver um Estado a regular, mas ao serviço das pessoas, voltado para os problemas das pessoas, voltado para os cidadãos. Promovendo a igualdade real, a diminuição do fosso entre ricos e pobres. A sociedade civil não se auto-regula. O tempo dos senhores a distribuir pão entre os pobres já devia ter passado. O Estado tem de promover as canas de pesca e, caso não tenha competência para fazer isso completamente bem, distribuir o peixe. Não deixar que as grandes famílias tirem tudo dos outros e depois lhes distribuam peixe, a troco de benefícios fiscais. Se forem distribuir peixe, devia ser pela sua dívida para com a sociedade.
Em Roma não resultou.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

JG

Espécie de namoro de 3 dias que quero que resulte numa relação duradoura.
Esta Fender JG está em minha casa e já começamos a tocar juntos.
Foi amor à primeira vista e logo que nos tocamos a empatia foi imediata. Vinha há algum tempo pensando em dotar-me de uma guitarra electro-acústica, mas não considerava uma urgência. Nem esperava ter isso antes de o 2007 se ir embora.
Mas, a verdade é que tratei do assunto com urgência depois que a vi, ao acaso (estava a comprar um cabo), no dia 22, tendo ido buscá-la hoje de manhã.
Gostei da guitarra por vários motivos. De início o formato, parecido com uma guitarra clássica, depois o braço, muito confortável, e o som ainda desligado do amplificador.
Perguntei só por perguntar o preço ao lojista. Pensei que seria suficientemente proibitivo para deixar a guitarra só no desejo. Porém o valor foi uma bela surpresa, para uma marca de referência como é a Fender.
Tudo isso fez com que o assunto se resolvesse depressa, após mais uma sessão de conhecimento mútuo - já com o amplificador permitindo que a guitarra contasse outros segredos que guarda dentro de si.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Pontes

Primeiro, uma advertência: não estou falando do meu local de trabalho, felizmente. Não suportaria.
Segundo, o desabafo: como é mais fácil quebrar do que juntar, ou criar conflito do que se tolerar ou se sentar à mesma mesa para tentar compreender-se, as pessoas optam sistematicamente pelas primeiras opções. E o engraçado é que depois todos criticam as guerras.
Não toleram diferenças, divergências, preferem distância à partilha, não tentam criar laços. Rapidamente passam ao ataque, às cisões, às opções que não revelam cedências.
E depois queixam-se de realidades como os guetos, as batalhas, no mundo em geral.
Pontes, nem vê-las. Só cadeados.
Cachimbos da paz, nem pensar. Só granadas.
Não sei se um dia sairemos disto.
Só se ultrapassa um rio com uma bela ponte, erguida em conjunto e que junta duas margens. Se não existe a ponte, a mistura, o encontro, o avanço é sempre uma miragem.

Tratamos de tudo

O Tratado Europeu ensinado às crianças:
A União Europeia é fruto da vontade dos povos.
O Tratado Europeu ensinado aos adultos:
Para quê? Vocês não percebem nada disso. Deixa estar que nós tratamos disso.

Eles é que sabem

Para que fique claro: os títulos de facto são diferentes.
O outro era Tratado Constitucional Europeu. Este é só Tratado Europeu, e é de Lisboa também, o que é muito melhor.
Levará o Santo António dentro dele, com as festas e sardinhadas?
Não, é só o título que muda, o outro era Tratado Constitucional Europeu e este é só Tratado Europeu.Ah... Mas então porque é que não vai ser referendado?
Ninguém sabe... Só os eurocratas, aqueles senhores de gravata e que mandam nesta cena toda.
Eles é que sabem, porque nós não sabemos interpretar tudo aquilo que eles escreveram.

Mas eles não deviam nos prover educação também, não deviam nos explicar, pelo menos?
Oh pá deixa lá isso... Eles vão tratar disso para nós... Eles sabem bem o que é preservar uma europa democrática. E se eles acham que democracia é nós vermos eles assinarem tratados internacionais sem dar satisfação ao povo... deixa-os que eles é que sabem.

Prova de fim de curso do teatro do opressor

Quanto mais fala, mais mentiras nos oferece.
Só que a mentira tem perna curta JS. E não és o único a vê-la.
Tristeza de país. Infelizmente não só de país, mas de mundo, cheio de mentirosos.
Via Zero de Conduta, o fabuloso político que pensa que é um actor de peças diferentes e que não se dá conta que um dia vem depois do outro, mostra-nos sua arte em duas performances sobre o mesmo tema, mas que ele finge que são distintos.
JS um dia terás vergonha, espero.
Aqui fica: duas performances, com convicção, sobre um mesmo tema.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Nota solta

Deixo esta nota solta, para dizer que queria escrever mais aqui.
Mas a verdade é que cada vez escrevo mais, em sítios diferentes, mas não neste local.
O que pensar? Nuns dias pensarei que isso é bom, noutros acharei mau.
O marcador da mensagem é uma provocação para mim.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Relatividade

"A Cimeira UE-África provou que os conceitos de ditador e de corrupto são relativos, de geometria variável: isto é, há ditadores bons, como haverá corruptos sérios."
João Paulo Guerra, "Diário Económico", 10-12-2007
E todos eles são convidados a jantar no Palácio da Ajuda, o que o comum dos mortais só vai em visita.
Como também ontem me diziam: "se estas cimeiras desorganizam tanto uma cidade, fazendo que estes altos chefes de estado (da UE e da UA) tenham de se esconder, é porque estamos muito mal. Eles sabem que não os querem e que criam dificuldades às pessoas."

O tigre e os lobos - parte II

O que terá acontecido ao tigre?
Terá sido agredido?
Estará tão quietinho porque está preparando um ataque surpresa?
Ou estará aprisionado bem no fundo da toca? Ou está bem instalado?
Terá se tornado um lobo?
Há histórias que se escrevem por si e que um blogueiro está absolutamente alheio ao guião.
Às vezes é mesmo preciso reflectir muito.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Fumaçada III

Ou seja o fumo seria tanto e "onde há fumaça há fogo" que ainda antes de começar a fumar estaria deixando de fumar porque "onde há fumaça há fogo" e, portanto, o fumo da fumaça que fumega poderia pôr fogo no cigarro do maço que não acendi e que significaria uma postagem num blogue.
Enfim, mantenham-se afastados do cigarro.

Fumaçada II

Fumar pode não só matar, como pode alimentar posts de blogues.
Nos próximos maços, seria interessante obrigar a colocar: "Fumar pode gerar posts em blogues".
Eu, que não fumo, deixaria de fumar no preciso momento que lesse isso num maço.

Fumaçada

Com a nova lei do tabaco, felizmente quase a entrar em vigor, teremos um novo curso no mercado: O Curso de Fumação de Fumadores.
Será ministrado pelo Instituto de Emprego e Fumação Profissional.

II EBBE

Alguns tópicos pessoais sobre o II Encontro de Brasileiras e Brasileiros no Exterior:
- O mundo é um espelho e as migrações representam fases;
- Exigir tratamento dos imigrantes no Brasil tão digno e reconhecedor do valor da imigração como defendemos para os emigrantes brasileiros nos outros países;
- Ter muita cautela com a utilização do princípio da reciprocidade, que nunca pode servir para ferir direitos de imigrantes, pessoas singulares, que residam nos países de acolhimento;
- Direitos políticos, nos países de acolhimento;
- Direitos políticos dos emigrantes brasileiros para o congresso no Brasil;
- Regularização dos não regularizados, na Europa e no Brasil;
- Acautelamento dos direitos dos regularizados ou não;
- Ser uma unidade, mas nunca se excluir, ou negar a miscigenação e interculturalidade;
- Respeitar sempre todos os povos, em especial o do país de acolhimento, não admitindo casos de discriminação em sentido contrário.

137 posts

E pronto!
2007 não é o meu ano com menos posts.
2006 sim foi o pior, com a quantia de 136 postagens.
Com o anterior post já temos 137 em 2007. É pouco, mas enfim, é o que se consegue fazer.

Carros e andamentos

O carro pára, depois de andar 200 kms a 170 kms/h.
Chega a hora de pôr o carro em andamento de novo, só que é preciso pegar o embalo todo outra vez.

Mar

Acontece.
Às vezes quando vemos já estamos no meio do mar.

Perseverar

Há quem se sirva de dificuldades para tentar pensar em alternativas dentro do mesmo projecto, buscando soluções que permitam melhorar o que se tem.
Há quem, perante dificuldades, coloque logo tudo em causa e pense em desistir.
Felizmente, faço parte do primeiro grupo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Descomplicómetro

Às vezes acho e às vezes perco, o botão do descomplicómetro.
Parece que hoje o encontrei. Tenho de o manter perto de mim e carregá-lo sempre que necessitar, mas devagarinho, para não estragar.
É um instrumento fundamental para transformar as coisas difíceis em fáceis, manter as fáceis fáceis de fazer e não transformar as fáceis em difíceis.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

eo

tErminOu
agora só para o anO que vEm

Com Metro e Carris à mistura

Sem carro, mas com MP3, ouvindo Lobão e Paralamas do Sucesso.
Ou uma perspectiva optimista de pensar no meu regresso a casa.

jsf-ps-be-cml

Há umas polémicas engraçadas de acompanhar, como esta em torno de Sá Fernandes, do Bloco de Esquerda e do PS, na Câmara Municipal de Lisboa.

Dúvida e procura

Ser mediano em muitas coisas ou excelente em poucas?
Fazer muitas coisas ou centrar-se em algumas?
A propósito de um post n' A Outra Voz, escrevi o meu comentário.

JoeSatrianiReinoUnido

Joe Satriani vai dar show no Reino Unido
MAY 2008 UK TOUR DATES
12 Mon Birmingham Symphony Hall - Birmingham, England GB
13 Tue Newcastle City Hall - Newcastle, England GB
14 Wed Glasgow Royal Concert Hall - Glasgow, Scotland GB
15 Thu Manchester Apollo - Manchester, England GB
17 Sat Bristol Colston Hall - Bristol, England GB
18 Sun Bournemouth Pavilion Theatre - Bournemouth, England GB
19 Mon Cardiff St. David's Hall - Cardiff, Wales GB
20 Tue London Hammersmith Apollo - London, England GB
21 Wed Nottingham Royal Centre - Nottingham, England GB
Porque é que eu não pego um avião e vou vê-lo tocar?

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Matar primeiro, tentar compreender depois: Jean Charles

Na Wikipedia contam a história de Jean Charles:
"Jean Charles de Menezes foi um imigrante brasileiro confundido com um homem-bomba e morto no metrô de Londres com oito tiros à queima-roupa, por forças especiais da polícia britânica, treinadas por agentes israelitas experientes no combate a ações de guerrilheiros palestinos em Israel.
Jean vivia há três anos no sul da capital inglesa e, segundo as autoridades, foi confundido com um terrorista árabe que teria participado dos atentados da véspera, contra ônibus e estações do metrô de Londres. O erro foi admitido pela Scotland Yard, que informou que o brasileiro não tinha nenhuma relação com qualquer grupo terrorista. Segundo ela, o acidente ocorreu porque o brasileiro se recusou a obedecer às ordens de parar, dadas pelas autoridades."

Matar primeiro, tentar compreender depois


Faça o que fizer, nunca viaje sem saber a língua do país para onde vai.
Depois de Jean Charles, agora foi Robert Dziekanski a ser ceifado pelo mau entendimento por parte de uma autoridade.
Os polícias devem ter pensado que um "taser" (esta pistola eléctrica da foto) funciona também como tradutor. Como não perceberam o que Robert tinha para dizer (estando ele com um ar visivelmente transtornado), descarregaram-lhe energia eléctrica, numa tentativa de conseguir ligar-lhe os fusíveis do inglês ou do francês. Procedimento curioso (estará numa lei ou numa portaria?). No entanto, desligaram-lhe tudo com o choque - mataram-no.
Infelizmente, mesmo em versão irónica, os factos relatados não tem qualquer graça ou amenização possível. A verdade é que chegamos a um ponto inacreditável e intolerável de desrespeito pelas pessoas. E estamos em pleno Século XXI - com tecnologia, informação e possibilidades técnicas mais do que suficientes para não andar matando inocentes ao primeiro impulso, em nome de guerras que nada têm a ver com as pessoas.
Este é um acto revelador do relacionamento entre os povos que não se compreendem, um relacionamento sobretudo hostil, de captação de recursos sem contrapartidas, de ganância, de não partilha, de atitudes bélicas e não negociais.
Se, ao invés de andar a despejar balas ou electricidade no corpo das pessoas, os governos tentassem descobrir maneiras de, a montante, eliminar os conflitos que geram estes medos, estas agressões, talvez não fosse tão difícil ultrapassar isto. Talvez fosse possível viver em paz.
A opção não é esta.
Os países que se dizem das "democracias ocidentais" decidiram investir na segurança, na desconfiança e na suspeição. E proclamam-se defensores de valores universais de humanidade, que, evidentemente, não têm a mínima hipótese de sobrevivência contra este tipo de ataques, que jamais respeitam referências como a tolerância, a solidariedade e a compreensão.
Enfim, deixo aqui mais uma triste notícia do que querem fazer ao nosso mundo.
Matou-se primeiro para tentar entender depois.

S J A M

Um pouquinho de Seu Jorge no Além-Mar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Efeito chamada


Se é admitida e até venerada a ambição da busca de matérias-primas em outros países e a desmultiplicação de iniciativas no sentido de aproveitar as oportunidades e esperanças relacionadas com investimento e capital, o mesmo não se pode dizer de fluxos humanos em sentido contrário, dos países terceiros para a UE.
O efeito de chamada, ou de procura, que um poço de petróleo origina, levando a mais pesquisas nos países de acolhimento das multinacionais europeias, não tem o correlativo raciocínio quando se trata de receber, regularmente, ou de regularizar, os cidadãos destes países. A não ser os altamente qualificados, claro.
Coitadas das pessoas, não tem a sorte de serem capitais imateriais. Se assim fosse estariam regularizadas. Se bem que, infelizmente, não estariam invulneráveis à vontade de ocultação e desregulamentação por parte dos seus titulares.

Portugal e Brasil

Portugal ganhou apresentando um futebol bem miserável contra a Arménia.
O Brasil empatou jogando pessimamente contra um Perú motivado. Foi um Perú versão "ave de rapina" o que procurou o empate, atacando um Brasil que parecia um animalzinho indefeso. Uns jogaram a sério, outros jogaram a brincar, sendo que a partida era muito séria.
Faço essa comparação para lembrar que é preciso algum crédito aos 3 pontos obtidos por Portugal no jogo de cima.
Os pontos valem muito e jogar bem (se tal for absolutamente necessário) é mais importante em Copa do Mundo.
Certo, eu sei que jogar bem é um regalo para os olhos. É bom e bonito. Também não gosto de ver talento esbanjado com tanto salto alto como fez ontem o Brasil. Mas é precisamente por isso que peço que pelo menos defendam com concentração depois dos golos, se não estão com vontade de dar espectáculo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Demagogia

Hoje, a respeito de um comentário que fiz, acusaram-me de demagogia. Fazia tempo.
Gostei do "perdoa-me, mas isso é demagogia".
Foi no Sem Muros.
Não sei o que é a tal da demagogia. Espero a resposta.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

5 minutos passados

Fica-se 5 minutos calado, olha-se para o lado e passam-se 15 dias.
Quando um dia passa como numa hora, uma semana passa num dia e quinze dias parecem só dois.
Muitas ocorrências (relevantes ou não), muitas dúvidas (fundamentadas ou não), muito barulho (ensurdecedor ou não), muitas certezas (com convicção ou não) e muita agitação (sempre).
Sei que cai numa contradição em termos de proporção temporal, mas não importa. Os físicos quânticos dizem que o tempo não existe.

sábado, 20 de outubro de 2007

Falando em Google


http://www.givemebackmygoogle.com/- o google sem anúncios e links;
http://www.blackle.com/ - o google que gasta menos energia.

700


Esta é postagem n.º 700.
Não há nada melhor do que jogar dados no Google para aprender coisas.
Joguei "700" e vejam o que aconteceu, além das imagens, que foram procuradas como "seven", "zero", "zero":

Interculturalidade

A selecção portuguesa está cada vez mais multicultural e intercultural.
Quaresma e Makukula fizeram Portugal continuar sorrindo na qualificação para o Euro. Quaresma centrou, Makukula cabeceou e todos festejaram o golo de Portugal contra o Cazaquistão.
E Deco, Murtosa e Scolari também ajudam Portugal colocar a sua bandeira no lugar de topo, entre as melhores selecções do mundo.

Às vezes reconhecem

Hoje li uma um artigo falando bem do Scolari. Quem o escreveu foi o José Manuel Delgado, que agora está no jornal "A Bola".
Finalmente alguém enaltece o homem depois de tantas críticas.
Não estou justificando o soco no jogador sérvio, que foi uma vergonha. Mas é hora de deixarem o homem trabalhar outra vez.
É claro que há um (e só um) técnico melhor que ele para Portugal: José Mourinho, que por enquanto não quer a selecção. Não vejo qualquer outro com pedalada para este desafio.
Enquanto Mourinho não quer, e em plena campanha para o Euro, resta Scolari - que, diga-se com toda a honestidade e sinceridade, é um grande treinador. As classificações com ele custam sempre um pouco, é verdade, mas o certo é que na hora da decisão ele está sempre lá.
É um treinador que fez dois enormes feitos em Portugal: foi segundo no Campeonato da Europa e quarto na Copa do Mundo. Só Otto Gloria fez parecido e não fez isso tudo.
Scolari representa a melhor fase de Portugal em toda a sua história futebolística.
Acrescento o que poucos querem lembrar: na campanha que antecedeu a sua vinda para Portugal era campeão do mundo com o Brasil, diga-se que com uma campanha de classificação para a Copa bem pobrezinha.
E, perdoem-me os críticos mais acesos: técnico com melhores classificações em três competições, treinando duas selecções diferentes, dúvido que haja igual.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Temos líder

Santana candidatou-se à liderança do Grupo Parlamentar do PSD.
Grande notícia para os Gato Fedorento, Contra-Informação, humoristas, blogueiros e afins.
Enfim, uma lufada de ar fresco na Assembleia da República!
Lembro apenas três posts - a Aldeia tem vários: nova palavra no léxico português (de Abril de 2004), O Bebé (de Novembro de 2004) e Em forma (de Janeiro de 2005).
Será difícil ter o mesmo nível de antes, mas nunca se sabe. É preciso ter esperança.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Algora ou nunca

O caro Al Gore esteve bem dentro da vida política, sendo vice-presidente da maior potência do mundo, do país mais poluidor. Esteve num lugar onde poderia deixar sementes, para colhermos um mundo melhor*.
Depois de já lhe ter passado a doença, voltando a ser um cidadão como outro qualquer, produziu (ou realizou) um documentário em jeito de correcção de consciência, lembrando que em toda a sua vida defendeu a natureza e a ecologia como mais ninguém, a não ser enquanto os Estados Unidos distribuiam urânio empobrecido no Afeganistão.
Apetece dizer, quanto a esta defesa a posteriori da natureza: mais vale tarde do que nunca. E que "A verdade incoveniente" não seja só uma verdade inconsequente.
Com o filme, as conferências e os discursos, ganhou o Prémio Nobel da Paz (e alertou algumas consciências - estou tentando ser justo). Aliás, é o primeiro Prémio Nobel da Paz que entra na subcategoria de "apesar de reformado ainda estou bem activo, fazendo o que devia ter feito antes"*.
Que o prémio sirva para algo e não só para uma futura candidatura à Presidência dos E.U.A., se bem que acho que Gore saiu dos requisitos do cargo, agora que foi premiado com toda esta paz. Um presidente americano imbuído no espirito da paz é uma ironia das mais refinadas. Era bom se fosse assim, mas sabemos como é a realidade...
No entanto, voltando a tentar ser imparcial, nada impede que Gore venha a fazer parte de algum Governo dos Estados Unidos. Não está absolutamente fora dos pressupostos. Simon Perez, por exemplo, já nos mostrou como um Prémio Nobel pode ser colocado na mesma gaveta onde Mário Soares guardou o socialismo.
Mas voltando ao assunto do título, resta dizer: Gore, faz qualquer coisa útil com o teu Nobel!
*Sugestões para o discurso de Gore, quando for receber o prémio.

Museus*

"Tiro os vossos direitos, mas dou-vos um museu."
Diria Sarkozy, se tivesse ido à inauguração do Museu da Imigração, em Paris.
Não foi, provavelmente para não ter preocupações de consciência.
Pelo menos, Sarkozy é sincero. Tanto discurso xenófobo certamente não se apaga num museu. E ele também não pretende iludir as pessoas, quanto ao seu discurso e prática.
Terá sido uma sorte não haver uns polícias a verificar as portas, aproveitando para deter alguns imigrantes irregulares que quisessem visitar as instalações.
Gosto de museus e acho que a imigração merece. Em Porto Alegre, no Memorial do Rio Grande do Sul, dedica-se um vasto espaço a explicar o inestimável valor da imigração para o desenvolvimento do Estado. Sarkozy, se, hipoteticamente, um dia quiser abrir a sua mente, poderá ir lá. Acho que não irá ser barrado na fronteira.
Aproveito para deixar duas sugestões: A primeira é que se calhar era bom ilustrar a xenofobia no Museu de Paris. Bastaria pegar na Lei de Imigração francesa, pôr-lhe uma moldura em volta (como a da figura) e chamar à mesma "Xenofobia, por Sarkozy".
A segunda é que, já que estão exigindo provas de ADN dos imigrantes, aproveitem para a exposição os estudos sobre isso. Pode ser que, se pesquisarem bem, se apercebam que o ADN de um imigrante não é nada diferente do de todos nós, uma vez que todos somos imigrantes.
*Mas museus para quê se não aprendemos nada com o passado?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Bandidos aos molhos

Mota Soares acaba de dizer que andou numa carruagem de comboio, em Sintra, que tinha 30 bandidos.
Convidou inclusive um deputado a acompanhá-lo em tal passeio.
Sinceramente, não sei como ele os identifica.
Será que usam crachás, como os fiscais da CP?

Nedstat - uma história

Um pouco a contratempo:
De facto, eu tinha razão, quando acusei a Nedstat de fazer popups no meu blog, o que fazia que as pessoas não lessem minha página.
Foi uma luta: mundo global é corrido da aldeia blogal; agulha num palheiro; A culpa não morreu solteira.
A Nedstat exibia popups não só no meu site no meu site, mas também na internet inteira.
Vejam a revolta na net:
1- Satelite: Nedstat Freecounter mostra popups;
2- Nedstat: fora seus horrorosos!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Fico querendo entender

Fico querendo entender porque elogiam a capa e não procuram o conteúdo.
Fico querendo entender.
A capa, que nada tem, que pouco diz, lhes basta.
Eu parvo ainda pergunto: "Leu?".
Eu parvo ainda pergunto.

Arames

O actual debate relativo à imigração na Europa é, em grande medida, se deve haver um regime comum ou não de admissão e controle de imigrantes.
Isso depois de terem andado anos mentindo para a opinião pública (que nestas matérias não anda muito bem informada) de que em grande parte as restrições impostas nos estados são ditadas pelas instâncias europeias.
Que bom que caiu o pano e que o debate está tomando rumo e aparecendo.
Há quem defenda aqui a soberania dos estados-membros da UE e há quem defenda que deve haver uma política europeia única de imigração.
Deixo aqui a minha opinião: sou a favor de políticas integrativas dos imigrantes, sejam elas nacionais ou transnacionais.
Se o objectivo de uma política comum for discutir Frontex e fazer directivas relativas à expessura do arame a usar nas fronteiras nem sequer me pronuncio.
A ver vamos onde isso vai dar.
Vai dar certamente em muitas declarações de intenções e palavras bonitas.
Mas se não resultar em direitos de nada serve.

8000

Quase passa desapercebida a efeméride.
As 8000 entradas na Aldeia Blogal (8017 no presente momento).
Sei que é pouco se em comparação com, mas até agora é o suficiente.
E com o tempo isso vai enchendo.

Resolução 1568 (2007)

Haja coragem política para regularizar os imigrantes irregulares que estejam na Europa.
Neste sentido já existe uma Resolução do Conselho da Europa.
A resolução foi proposta pelo deputado conservador britânico John Greenway.
"Se se revela impossível reenviá-los para os seus países, os Estados-membro devem regularizar a sua situação."
Mesmo este raciocínio um pouco enviesado é mais aberto do que o de muitos governos da Europa.

Bispos discordam de leis de imigração restritivas

Afinal onde está a raiz cristã da Europa, que a direita tanto realça?
Bispos dos EUA e França estão preocupados com o debate sobre a imigração em seus países:
“As medidas cada vez mais restritivas adotadas contra os imigrantes são concessões a uma opinião pública dominada pelo medo” - indicou a conferência episcopal.
Os bispos criticam mais uma vez a idéia de uma ‘migração seletiva’: “os cristãos recusam a idéia de escolher entre bons e maus imigrantes, entre clandestinos e regulares”.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Que país é este, afinal?

3 capas de 3 discos de 3 bandas brasileiras de referência.
Em todos estes discos está lá a pergunta em forma de música: "Que país é este?".
Infelizmente, é uma música que não sai de actualidade.
Basta colocar "Que país é este?" no Youtube, que quase saltam para fora da tela do computador as centenas de versões tocadas por dezenas de bandas do Brasil.
E aqui em Portugal é lembrada muitas vezes também.
Cada vez que a música é tocada vem a questão: "Que país é este?".
Desde a sua primeira aparição no Fantástico, tocada pela Legião (aliás, a música é da autoria destes) passando pela excelente versão dos Paralamas do Sucesso, no seu albúm Acústico, e mais recentemente na versão revisitada "Aborto Elétrico", do Capital Inicial, "Que país é este?" é uma música simples, única, actual, eterna, triste e contestatária.

Que país é esse?


É evidente que dedico esta entrada para o Senado brasileiro...

Acho que o Renato Russo, quando escreveu esta letra e a Legião Urbana, quando a tocava, imaginava alguém como o Renan Calheiros acompanhado daquela gentalha que habita nossas instituições republicanas, democráticas e sem-vergonha...
Introd.: (Em C D)
(Em C D)
Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituicão
Mas todos acreditam no futuro da nação
(Em C D)
Que país é este 4x
(Em C D)
No Amazonas, no Araguaia iaia, na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Minas Gerais e no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
(Em C D)
Que país é este 4x
(Em C D)
Terceiro mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
(Em C D)
Que país é este 4x

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A mala perdida

Há a "bala perdida". E há também a "mala perdida".
A primeira é um drama que afecta alguém e que é perpretado por um anónimo.
A segunda decorre de um incidente praticado diariamente no Aeroporto de Lisboa. Será incidente, se acontece todos os dias?
Infelizmente não deixei um telemóvel, nem sequer um cartão de telefone, para que ela possa me dar notícias sobre o passeio que resolveu fazer. Mas espero que ela esteja bem e que aproveite as roupas e sapatos que leva dentro de si.
Se o seu destino for a Sibéria, tem em seu interior casacos e blusões. Se for para Cancun, pode servir-se de um calção. Se não quiser fazer topless, poderá vestir uma das várias tshirts, inclusive aquela que adquiri no Uruguai, que diz "nuestro norte es el sur".
Fico um pouco preocupado com o facto de ela ocasionalmente viajar para locais onde não esteja habilitada com um visto de entrada ou de trabalho. Será difícil sobreviver se não tiver como vender as roupas que leva ou trabalhar em alguma empresa de transportes. A sua única salvação, em tais casos, será a da adopção por parte de algum habitante do país de acolhimento. Estudar é óbvio que não será possível, devido ao grande preconceito que existe, de que as malas grandes não são boas para levar às universidades, escolas ou bibliotecas. Será difícil obter uma bolsa enquanto se mantiver esta discriminação.
Ainda por cima, ela é uma mala modesta e humilde, não sendo titular de acções em grandes bancos internacionais. Nem sequer tem um cartão de crédito Mastercard, Visa, ou mesmo um de débito Maestro, com o qual possa se manter. Mais valia perder-se se fosse a mala de um doleiro.
Enfim, se alguém encontrar uma mala sem uma alça, que, sem rodeios e fugindo a hipocrisias, é minha propriedade, agradeço que a retenham e tranquem-na num lugar seguro, que até pode ser escuro (pois as malas tem visão noturna - já viram elas perderem de vista o que guardam, mesmo quando dormem naqueles armários super escuros?) e herméticamente fechado (todos sabemos que as malas respiram outros elementos do ar que não o oxigénio, uma vez que são capazes até de sobreviver em lugares onde o ar é rarefeito).
Peço ainda que me comuniquem de imediato o sucedido.
Em princípio ela é uma mala pacífica, pois nunca a vi envolvida com grupos terroristas ou portando literatura subversiva. Por isso, se a encontrarem sozinha em algum lugar, não há motivos para alarme - ela não estará escondendo uma bomba em seu interior, mas apenas roupas e tshirts pacifistas, como a relativa à associação "Tribunal Iraque" ou a da "Attac Portugal" ou ainda a da "Correr com o racismo".
O único alerta que faço é para a questão de que a minha mala tem dupla personalidade. De facto, ela, em suas etiquetas espalhadas pelas alças (que ela prefere chamar de brincos, pois é vaidosa) diz viver não só em Lisboa - Portugal, mas também em Canoas - RS - Brasil.
Além de vaidosa é uma mala extremamente extrovertida, comunicando em seus próprios brincos (!) os seus telefones e endereços.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Regresso

Entro em procedimento de regresso.

100 - 2007

Contra as minhas expectativas no começo do ano, a Aldeia chega agora a, pelo menos, 100 posts em 2007.
Este é o 100.
Não sei o que pensar destes posts objectivos, estatísticos, secos e sem sentido, mas simpatizo com eles e pretendo prosseguir a sua redacção sempre que me lembrar.

Viagem

Véspera de viagem para longe de POA e ida para Lisboa:
Parque da Harmonia, semana farroupilha, Hawaianas, bandeira, confirmar passagem.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Voltas na Redenção e no clima

Em Porto Alegre fizeram 32.º hoje.
Fui de bermudas (calções) ao Brique da Redenção - calor no inverno da América do Sul.
Chuvas enormes e frio é o que se encontra no verão da Europa central.
E isto não é um jogo de palavras, metáfora ou senha.
Porém, agora sim entrando em frases com sentido figurado, é um espelho do que o ser humano resolveu fazer ao Planeta Terra.

TVD

Chega sempre este momento. Não há como fugir-lhe.
Quando se entra na última semana de férias no Brasil, as despedidas começam a tornar-se inevitáveis e a frase "ainda nos veremos antes de eu ir" é substituída por um "tentarei voltar depressa".
Na verdade, o tentar voltar depressa (tvd) é uma incógnita que merece até um nome de blog, tamanha discussão pode surgir em torno de tal expressão.
Da última vez que havia usado o tvd, pretendia regressar em 10 meses. Demorei 30.
Nasceu meu sobrinho pelo meio, agora com dois anos. Houve quem se fosse de doença, ou pior ainda, no fim de uma viagem de avião, finalizando nesta a viagem maior que é a vida.
Mas é isso. Entro em semana tvd.
É como sair do túnel do tempo, paulatinamente. Lembrar onde está o meu presente, a minha vida, meus compromissos, minhas responsabilidades.
Os afectos também os tenho no outro lado do atlântico, pela minha Lisboa, pela minha vida que foi sendo construída.
Mas o meu sangue, os meus primeiros sentidos, deixo-os aqui na primeira povoação e povo que conheci.
Porém, daqui levo comigo, sempre, o tvd. Levo ainda o idealismo, a poesia e a utopia de um dia regressar a Porto Alegre e ao tempo que se foi e que nunca mais regressará.
Se um dia houver retorno, inevitavelmente terei de contentar-me mais com o espaço do que com o tempo. Do tempo poderei só falar, felizmente com satisfação.
No entanto, é por isto tudo, com seus pontos positivos e negativos, com suas ilusões, desilusões, sonhos magníficos e realidades cruas - que até apetecia chamar de realidades reais (outro bom nome para um blog) - repito, é por isto tudo, que tentarei voltar depressa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Querência


Vítor Ramil e a sua "Querência" são um show.
Estou ouvindo ele aqui no meu passado porto-alegrense.

Tudo igual

O (in)consciente colectivo já introjectou: político é tudo a mesma coisa.
E os sonhos são todos efêmeros, como as promessas de um político que queira alcançar o poder.

Copa de tristeza

Porto Alegre.
Igual a sempre.
Mas com menos dinheiro (ou igual).
Porém, há uma coisa inquestionável.
Assim como Lula criou a esperança, Lula aniquilou a mesma.
Só 2010 pode salvar o povo brasileiro da desilusão - o projecto é viver de copas e comer futebol.

Diga 33

É preciso regressar a Dezembro de 2005 para se encontrar um mês com mais entradas do que o Agosto de 2007 da Aldeia.
Mês passado foram 33 entradas e em Dezembro de 2005 foram 35.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

sábado, 25 de agosto de 2007

Montevideo

Porque o mundo esta la fora, pedindo para ser explorado, escrevo aqui de Montevideo esta postada de poucas palavras.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Agora, sigo para as preparações

É este o último post antes de eu entrar de férias.
A partir do ponto final desta entrada, começo as arrumações devidas no local de trabalho à minha volta. Levará ainda algum tempo (algumas dezenas de minutos) a entrada de férias, portanto.
Há trabalhos que irão comigo para o descanso de casa. Vêm, mas quero arrumar com eles no fim de semana. Todos os que eu conseguir - não quero estas criaturas me acompanhando ao Brasil, por exemplo. A não ser que tenha mesmo de ser. Não quero que eles apanhem o vento Minuano junto de mim. Não os quero em Buenos Aires nem em Montevideo.
Felizmente, este local onde estou, apesar de me ter criado uma necessidade enorme de férias (se bem que tenho acumulada a necessidade de atravessar o oceano), é um lugar de satisfação, de eterna busca e algum encontro. Proporciona, no entanto, uma maior percentagem de encontro se a perspectiva da busca for um fim em si mesmo. E se calhar, por enquanto, resta-nos o contentamento da busca.
Enquanto houver pessoas que buscam qualquer coisa, não entregaremos os nossos sonhos de mão beijada a esta dura realidade.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Um curto

Ando escrevendo posts muito compridos.

Abóbadas e arcos

Uma coisa é a lei de imigração. Outra coisa é a aplicação da lei de imigração.
Por isso, quanto mais janelas existam a permitir a discricionariedade nesta lei, mais difícil será para o imigrante. Mais difícil é a previsão do imigrante. É a insegurança que entra por estas janelas. É a incerteza que entra pelo casco da sua canoa. A incerteza que o lança por vezes em mergulhos cegos, entregando todos os seus barcos em mãos que prometem certezas com coberturas de verdades que são falsas.
Esta lei, a Lei n.º 23/2007 tem janelas construídas em abóbadas e arcos de discricionariedade pura. Lindos arcos, de uma arquitectura arrojada, mas que poderão não servir para ultrapassar tempestades.
Os casos vão se multiplicar.
Poderão haver também mais casos de vistos e as Autorizações de Residência. Mas serão algumas ocorrências que serão devidamente inflacionadas pelo governo e pela opinião pública, que têm enchido um balão das maravilhas de uma lei de imigração que continua dura como pedra. É melhorzinha, mas continua dura. Enfim, apostou-se muito forte numa lei que não é tudo isso que se diz.
Quem me dera estar errado. Quem me dera ter de dar a mão à palmatória. Quem me dera que um dia venham me dizer: te enganaste redondamente hein? Ou mesmo: te enganaste um pouco, não?
Mas, a partir dos primeiros dias que passaram, dos casos que vão aparecendo no âmbito desta lei, comecei a ficar preocupado.
É obrigação moral de quem quer o bem dos imigrantes, que se aproveite a ocasião do Decreto-Regulamentar para dar um pouco mais de paz aos imigrantes. Criar, neste âmbito, portas da frente e não frestas. Dar um abraço acolhedor, forte e sincero às pessoas. As pessoas estão sempre sofrendo, nadando num mar de incertezas, à procura de uma margem, de um pedaço de madeira para flutuar, que poderá estar logo ali em frente, se for vontade da Administração.
Esta lei até poderia ter um nome diferente. Podia chamar-se "vontade da administração".
Enfim, sempre olharei para todas as leis de imigração do mundo com a mesma suspeita que as mesmas lançarem sobre os imigrantes que caibam no seu âmbito.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

As manchas

Numa só semana, dois escândalos, duas vergonhas, duas manchas que nunca sairão. Aliás, é a semana em que Bush e Sarkozy estão passando juntos. Terão falado nisso? Terão trocado impressões sobre as suas leis e políticas de imigração?
Bush terá falado nos 12 milhões de pessoas não regularizadas nos EUA?
É caso para dizer que os fragilizados, nas desumanas leis de imigração, são sempre os que penam mais.
Vejamos:
Brasileiro imigrante morre nas instalações da polícia americana, alegadamente por não ter os medicamentos adequados;
Criança imigrante em coma, depois de queda durante fuga da polícia de estrangeiros, ao serviço do Ministério para a Identidade Cultural.

The Kucinich Plan For Iraq

Na Wikipedia, a propósito de Kucinich, que, pelo que disseram os inquéritos (e só eles), é o meu candidato nos EUA:
On 8 January, 2007 Dennis Kucinich unveiled his comprehensive exit plan to bring the troops home and stabilize Iraq.
His plan includes the following steps:
1- Announce that the US will end the occupation, close the military bases, and withdraw.
2- Announce that existing funds will be used to bring the troops and the necessary equipment home.
3- Order a simultaneous return of all U.S. contractors to the United States and turn over the contracting work to the Iraqi government
4- Convene a regional conference for the purpose of developing a security and stabilization force for Iraq.
5- Prepare an international security peacekeeping force to move in, replacing U.S. troops, who then return home.
6- Develop and fund a process of national reconciliation.
7- Restart programs for reconstruction and creating jobs for the Iraqi people.
8- Provide reparations for the damage that has been done to the lives of Iraqis.
9- Assure the political sovereignty of Iraq and insure that their oil isn't stolen.
10- Repair the Iraqi economy.
11- Guarantee economic sovereignty for Iraq
12- Commence an international truth and reconciliation process, which establishes a policy of truth and reconciliation between the people of the United States and Iraq.

Na América

Segundo um inquérito internético que está no site http://www.dehp.net/candidate/, nos Estados Unidos os candidatos que mais próximos estão de minhas ideias seriam, pela seguinte ordem: Kucinich, Gravel, Obama, Edwards, Hillary.
Tendo em conta outro inquérito, http://www.selectsmart.com/president/2008.html, a ordem seria: Dennis Kucinich, Barack Obama, Alan Augustson (campaign suspended), Christopher Dodd, Joseph Biden, Hillary Clinton, Wesley Clark, John Edwards, Michael Bloomberg, Mike Gravel.
Deste último citei imensos nomes para poder apanhar o Gravel, segundo da primeira lista.
Enfim, inquéritos são inquéritos.

domingo, 12 de agosto de 2007

667


Sendo a anterior postagem a número 666, rapidamente escrevo outra, dando asas à superstição.

ps: inclusive a anterior postada só apareceu no blog depois de eu ter publicado esta. Será a blogger supersticiosa?

Jordan pela paz

Consegui trocar: Mustaine continua na prateleira da FNAC.
É Mustaine, pus-te na prateleira...
Foi difícil vencer a burocracia da loja. Enfim, compreendo que seja complicado pôr este disco de Megadeth para fora.
Mas, depois de os explicar que eu até compro os cd's menos vendidos da loja, que nenhum ser normalmente quer, que não costumo fazer downloads na net, que tenho alguma fidelidade à FNAC e que até encomendo Marty Friedman, Steve Vai, Derek Sherinian, John Petrucci, as coisas melhoraram.
De facto, sem mim e mais três ou quatro gatos pingados o rock progressivo ficará para as moscas e irão baixar de preço vertiginosamente.
Exemplo disso é que trouxe hoje na troca Feeding the Wheel, do Jordan Rudess (tecladista dos Dream Theater e dos Liquid Tension Experiment e que, além disso, é uma referência por si só).
Basto-me, neste caso, com a sua estupenda música. Nada no cd parece demonstrar que este senhor seja a favor do desmantelamento da ONU e da teoria da guerra infinita.
A não ser o nome do disco: Feeding The Wheel. Será que todos nós temos de alimentar a roda do sistema?
Cuidado: desta vez estou só brincando...
Qualquer dia a paranóia pode levar a que não se possa mais ouvir música.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Gadelhas direitonas

Estou chocado, mas acho que percebi porque o Marty Friedman saiu dos Megadeth e foi viver em uma sociedade diferente da americana, a japonesa.
Ou, se Marty Friedman é tão direitão e paranóico como Dave Mustaine, prefiro não saber. Se for assim Marty, nunca escrevas letras para as tuas músicas.
Os Megadeth, banda (não sei se é bem uma banda porque já teve um monte de formações, sempre transitando Mustaine) que até gosto dos riffs de guitarra, fizeram um disco com uma mensagem absolutamente execrável, contra a ONU. É certo que a ONU tem alguns problemas, relacionados com a corrupção. Mustaine também fala de abusos sexuais. Já se falou muito nisso, aliás.
Mas pegar nisso para ser contra tal instituição e defender a acção directa dos Estados Unidos contra os outros povos, que, na opinião do guitarrista e vocalista, estão se organizando para atacar a nossa civilização, enquanto a ONU perde tempo em negociações, é um enorme passo.
O totó que escreve este texto comprou o cd, inocentemente, depois de ter ouvido as canções.
Quando ia no Metro e voltava para a casa, olhou bem para a capa, com um edifício parecido com o da ONU sendo bombardeado. Associou de imediato ao nome do disco "United Abominations". E aí viu que algo estava errado...
Abri o encarte e li o que estava escrito, uma espécie de declaração de princípios, um texto anti Nações Unidas, defendendo que contra a violência excepcional é justificável medidas excepcionais e outros blá-blá-blás sem sentido. Fiquei na altura preocupado. Até achei que podia ser uma ironia, de tão estúpida e primária que é a mensagem.
Chegado a casa, rapidamente me joguei no mar que é o Google e descobri que não é nada ironia.
Aliás, parece que foi esta estratégia para Mustaine ser falado no mundo todo.
Porém, a ironia maior é eu ter comprado esta porcaria de disco, que irei, amanhã mesmo, fazer tudo o que for preciso para trocar na FNAC. Trocar por algo melhor, como Alejandro Sanz ou Madonna.
Porque que a música tem que ter letras? Porque Mustaine tinha que fazer esta estupidez? Aliás, agora já soube (no mar Google) que o disco Peace Sells, But Who's Buying? tinha a sede da ONU na capa.
Bom, agora, já interpretarei com todas as reticências a musicalmente fantástica Holy Wars (aqui num vídeo em versão de verão, que é só o que pode justificar que todos os membros do grupo estejam de tronco nu - ou senão eram as alterações climáticas já em 1980).
E o que fazer com a absolutamente maravilhosa Trust, uma música de que é impossível enjoar?
Enfim, estou bastante desapontado.
Devo desaprender os acordes iniciais de Simphony for Destruction e Hangar 18? Esta última aqui num vídeo muito engraçado, de tão infantil que é.
Mas é capaz de Mustaine ter tido um problema qualquer. Basta ver o que ele fez com A Tout Le Monde. É comparar os vídeos da Versão inicial com a versão Megadeth in the Age of Terror (diz isso no disco novo, na tal comunicação inicial). Na nova versão, apesar de ter pânico dos diferentes, ele usa símbolos da cristandade, uma religião que apela ao amor e respeito ao próximo (e também aos distantes).
Enfim, pode ser que Mustaine acorde e se retracte. Pode ser que veja que não vale a pena ter medo do outro e que as coisas não se resolvem com mísseis e metralhadoras.
Entretanto, talvez o guitarrista das gadelhas louras tenha conseguido voltar a vender um monte de cd's nos Estados Unidos.
Perdeu, para já, um fan na Europa, que inclusive vai devolver o disco, coisa que eu nunca fiz antes. Espero que perca muitos fans mais. É importante para o mundo até, não ter estes discursos de violência contra os povos, feitos por fanáticos.
E perdi uma referência musical.
Aqui, podem ver outra crítica sobre o disco: http://programaaltofalante.uol.com.br/index.php?master=balaio&sub=cd&ac=2&id=281

Mário Soares: existe arrogância e esvaziamento ideológico no Governo PS

Convido-vos a ler esta passagem de uma notícia do site da TSF, em que citam a entrevista de Mário Soares, publicada hoje no Diário Económico.
«É, talvez, preciso mais sentido de autocrítica e menos arrogância nas respostas», comentou o ex-Presidente da República sobre os «episódios desagradáveis» de autoritarismo «muito empolados, mas que devem ser evitados e corrigidos».
O fundador do PS considerou ainda que está a verificar um esvaziamento ideológico no governo liderado por José Sócrates e que o «mal-estar na sociedade portuguesa que não deve ser ignorado» está a atingir em particular os mais pobres.
É o que diz Mário Soares, que tal como Manuel Alegre, vê-se que está desapontado.

Caos sistemático

O novo álbum dos Dream Theater, Systematic Chaos, já apareceu nas lojas.
Rapidamente fui caçá-lo.
Acho que é um bom disco, mais pesado do que o Octavarium. Não melhor, porque o Octavarium tem canções mais fortes. Porém, ainda estou naquela fase de compreender o disco, tentando chegar no que o grupo pretende mostrar.
Mas fico sempre, sempre, sempre, espantado com a capacidade criativa destes senhores. Impressionante como fazem bons discos, com grande qualidade e em pouco tempo.
Claro, já sei, que usam muito da sua ciência musical e da sua técnica. As críticas são sempre as mesmas: é só técnica, sem "feeling", são uns robôs, as músicas são muito grandes, sei lá mais o quê. Nem todos precisam que fazer a mesma música que ouvimos na rádio, incessantemente.
Dream Theater são os Dream Theater e somos muito sortudos de ter gajos como estes fazendo rock progressivo. É óbvio que põem sentimento no que fazem. A técnica sobressai porque eles têm-na e põem em prática.
E há outra coisa que é raro, que são os vocais muito equilibrados neste tipo de grupos com influências de Hard Rock.
Deixo aqui Constant Motion, que é uma música onde os vocais lembram um pouquinho de Metallica:

Para além disso, fica aqui a The Dark Eternal Night, filmada em estúdio. Não gostei muito desta canção, mas vale a pena ver a óptima filmagem.

O Gaúcho e o Leão

Óptimo mail que recebi, que relata a história mencionada no título:
O gaúcho andava a cavalo pelas florestas africanas, quando, de repente, entra numa clareira e se depara com um enorme leão.
O cavalo do gaudério se assusta com a presença do enorme felino e começa a refugar, até que dá uma empinada derrubando o gaúcho no chão e em seguida foge em disparada deixando o bagual sozinho atirado.
O gaúcho começa a se levantar devagarito, e vê que o bichano vem lentamente em sua direção. Então, antes de agir, faz uma pequena oração: "Deus, se o senhor está torcendo por mim, faça com que eu puxe agora essa minha adaga da bota, atire-a em direção ao leão de maneira certeira, fazendo com que atinja o meio da cabeça dele e seja mortal.
Mas se o senhor tiver torcendo pelo leão, faça com que eu erre o lançamento da adaga, e que o bicho dê um pulo certeiro pra cima de mim, mordendo diretamente minha jugular, e que eu morra na hora, sem sofrimento nem dor.
Agora, Deus, se o senhor não tiver torcendo pra ninguém... Então senta ali naquela pedra, e assista uma das maiores peleias que já se sucederam por essas bandas!"

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

(Frontex), Complex ou Simplex

A propósito da temática que hoje referi várias vezes, a Regulamentação da Lei de Imigração, Miguel Portas, no seu blog Europa Sem Muros, escreveu um artigo que chamou: Simplex ou Complex?
Concordo com quase tudo o que lá está.
Deixei, no entanto, o seguinte comentário:
Na verdade a contraposição melhor devia ser Frontex vs Simplex.
E, como se tem visto, o Frontex é considerado pelas leis e governos como mais importante.

Aliás, a Lei 23/2007 está carregadinha de Frontex ou complex, ou como se preferir chamar.
E as belas das razões profissionais e pessoais, apresentadas como uma grande dádiva, nada mais é do que um revivalismo do anterior decreto regulamentar que previa estes conceitos, sendo que os mesmos nunca significaram quase nada além de uma frase num papel. A não ser em épocas de boa-vontade da administração.
Tocaste no ponto de fundo de todas as sucessivas Leis de Imigração, ainda que com uns pózinhos de diferenças ténues ou correcções de leis, que sempre foram insuficientes como reguladores de fluxos migratórios (que são humanos e não sujeitos a tanta papelada e computadores nos consulados idealizados e utópicos).
O ponto de fundo é a discricionariedade. E especialmente, é a discricionariedade o único que resta para quem está em Portugal. É estar tudo dependente da boa vontade. É o imigrante perguntar: irei me regularizar? E o funcionário dizer: temos de avaliar se há motivos de força maior, razões atendíveis, circunstâncias excepcionais, razões profissionais e pessoais. Mas ninguém sabe ou pode dizer mais do que isso. Porque a lei não consagra.
E com isso o imigrante não sabe o que pensar.
E é difícil a integração no meio de tantos papéis a serem entregues na polícia e no meio de tantas dúvidas…
Concluindo, é urgente que se regularize quem trabalha e contribui para o país, tirando as pessoas da situação de fragilidade potenciadoras de exploração.

Manifestou temores quanto ao excesso de burocracia

"Esta é uma Lei que pretende facilitar, desburocratizando, mas no fundo continua a ser demasiado burocrática”
D. António Vitalino, presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, deu esta opinião relativamente à lei de imigração, para a Agência Ecclesia.

Diferente? Nem tanto...

No Público de hoje:
Imigrantes ilegais podem vir a ser regularizados por "razões pessoais ou profissionais"
08.08.2007, Ricardo Dias Felner
O texto ainda não está fechado, mas a proposta de regulamentação da nova lei da imigração, que está neste momento em cima da mesa - e a que o PÚBLICO teve acesso -, não coloca qualquer entrave a que imigrantes ilegais, já estabelecidos em Portugal, e com um contrato de trabalho, possam vir a ser regularizados. Há, contudo, uma ressalva: fica ao critério do director do SEF definir quem tem ou não direito a este procedimento excepcional.

No artigo 54 lê-se que o pedido de legalização é apreciado tendo em conta a "excepcionalidade" da situação, designadamente: por "motivos de força maior; ou por razões pessoais ou profissionais atendíveis". Esta questão foi uma das mais discutidas no Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração (Cocai), reunido ontem precisamente para discutir o documento, e onde esteve presente o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, e o seu secretário de Estado, José Magalhães. (...)
O próprio ministro Rui Pereira, que fez a exposição inicial do diploma, haveria de admitir a necessidade de se concretizarem os termos da lei (fabricada pelo seu antecessor, António Costa), afirmando não querer ter o poder do livre-arbítrio.
No Decreto-Regulamentar n.º 6/2004, de 26 de Abril - o que será revogado com a entrada em vigor da Regulamentação em discussão:
Artigo 29.º
Prorrogação de permanência
1 - A prorrogação da permanência, nos termos do n.º 1 do artigo 52.º do Decreto-Lei n.º 244/98, de 8 de Agosto, poderá ter lugar se se mantiverem os motivos que fundamentaram a admissão do cidadão estrangeiro em território nacional.
2 - Em caso de ocorrência de facto novo posterior à entrada regular em território nacional, pode ter lugar, a título excepcional, a prorrogação da permanência, nos termos do n.º 3 do artigo 52.º do Decreto-Lei n.º 244/98, de 8 de Agosto, devendo o pedido ser acompanhado dos documentos previstos no artigo anterior, bem como dos comprovativos exigíveis para a finalidade a que o pedido de prorrogação se reporta e comprovativo da situação de permanência regular.
3 - O pedido referido no número anterior é apreciado tendo em conta:
a) Razões humanitárias;
b) Motivos de força maior;
c) Razões pessoais ou profissionais atendíveis.
4 - (...).
A principal diferença entre os conceitos são as seguintes:
O do anterior regime aplicava-se a várias prorrogações de vistos, inclusive os de trabalho, ou seja, às autorizações de residência para efeitos de trabalho da nova lei;
No anterior regime apenas numa pequena percentagem terá tido resposta positiva do SEF.
Na verdade, o dispositivo é praticamente idêntico ao referido na notícia como constando da nova Regulamentação: criam-se várias torneiras, mas quem tem o poder de abri-las e fechá-las é o SEF, sem critérios predefinidos, sem balizas objectivas, sem nenhum limite a não ser a sua arbitrariedade, que pode pender para o lado dos imigrantes, mas pode também não pender.
Na anterior lei, regulamentação e, essencial para aqui, a prática administrativa, não era nem cogitável pensar numa regularização para a generalidade das pessoas, decorrente destes tipos de conceitos.
É o que este Governo quer para a imigração, mediante a prática da sua administração, que será testado, como num exame, no caso de a previsão dos artigos manter conceitos abstractos e só interpretáveis caso a caso.
Na prática, o imigrante está absolutamente à mercê da interpretação do SEF, sendo que a lei vira as costas a uma regulação objectiva destes critérios.
E isso é mau para o imigrante, que não só fica nas mãos da providência do SEF, como inclusive, na generalidade dos casos, não tem direito a ter efeito suspensivo no recurso para os Tribunais Administrativos de uma decisão de tal órgão policial e administrativo.
Acresce que é mau para os próprios funcionários do SEF, numa altura em que já ocorreram alguns casos menos claros nestes serviços. Ou seja, os funcionários são confrontados com regras pouco claras, ficam sem critérios para dar os seus pareceres, ficando à mercê de incitações e convites à ajudinha administrativa e até coisas piores.
Concluindo, nada de bom se prevê com normativos onde a lei se omite do seu dever de regular e onde o poder discricionário ultrapassa todos os limites que permitiriam o controlo da administração pública.
E, no caso de haver interpretações internas, através de ofícios circulares ou instrumentos desta natureza, é absolutamente imperioso que se dê conhecimento dos mesmos aos cidadãos, ainda que tenham natureza meramente informativa e não vinculem os particulares, para que a generalidade dos imigrantes conheçam a prática administrativa.
Para que o cidadão comum entenda, este tipo de leis seria o equivalente (mas muito mais grave por se tratar dos projectos de vida de milhares de pessoas) ao apresentar a sua declaração de Imposto de Rendimento e o Estado poder aplicar critérios unicamente subjectivos para determinar o valor a pagar.
E tu que estás a ler, olha, parece-me que excepcionalmente, hoje, não tens razões atendíveis, nem pessoais, nem profissionais, nem motivos de força maior, para te safares da aplicação da taxa de 70% sobre o rendimento do teu último ano.
Isto é que são conceitos indeterminados.
É preciso criar mecanismos claros que incentivem a transparência e que protejam e regularizem os que vivem, trabalham e contribuem para o país de acolhimento.
Porém, no caso da técnica dos critérios abstractos permanecer, o que não seria bom, esta deve proteger os imigrantes, reconhecendo o seu valor, e as decisões devem ser uniformizadas, sendo divulgada publicamente a interpretação administrativa dos conceitos, em favor da transparência.

Falar com seriedade

Não me venham mais com este tipo de demagogia barata tentando descontextualizar a discussão.
Tenho de falar isso, porque já ouvi pessoas dizendo que a regularização dos imigrantes promove a imigração ilegal. Regularizar é, obviamente, o oposto de ilegalizar.
Não me entra na cabeça este tipo de frases e, inclusive, não me parece que entrem na cabeça de quem o diz, atenção.
Mas o que de facto parece-me é que querem que quando virmos um imigrante não regularizado, com a sua vida dífícil, penando para ter um visto e ter uma vida em paz, apesar de ajudar a economia, devemos olhar para ele e dizer: "Eh pá, olha, não te podemos regularizar porque vamos estar contribuindo para a imigração irregular". "E boa sorte para a tua vida, que não te explorem muito".
Isso é que é combater a imigração ilegal?

Não me venham mais com este tipo de demagogia barata tentando descontextualizar a discussão


É evidente que estou contra a exploração dos imigrantes não regularizados pelas empresas. É óbvio que estou contra a exploração da fragilidade destas pessoas nestas situações.

É por isso que é preciso destruir as barreiras que impedem as pessoas de se regularizar. O Estado têm de proteger quem trabalha e está fragilizado, e punir quem explora estas pessoas.
Em Portugal, por exemplo, já que se está preparando a regulamentação da lei de imigração. Que é uma lei que a opinião pública diz que é uma boa lei, "equilibrada". Então não deveriam haver grandes obstáculos à regularização de quem já está em Portugal, uma vez que o Governo tem afirmado em vários lugares que desta vez é que se vão dar passos importantes para a criação de canais de migração legal.
A ver vamos. Mas, sendo assim daqui para a frente, resolva-se o problema das pessoas que foram severamente penalizadas ao abrigo da lei anterior. Dê-se um estatuto jurídico para as mesmas, retire-se as mesmas do estado de não-direito.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O crime que é trabalhar

Não sou uma criminosa, apenas uma jovem mãe que ama a sua filha.
Sónia, jovem portuguesa que teve uma ordem de deportação nos Estados Unidos.
Como o próprio jornal "O Emigrante/Mundo Português" refere: (...) que sirva como uma chamada de atenção para o drama de situações como esta (...)
Espero que sirva.
O delito que a menina, de 18 anos, cometeu, foi trabalhar numa empresa que foi fiscalizada e não ter os seus papéis em ordem. Trabalhava para a riqueza dos Estados Unidos. Tal como os imigrantes sempre trabalham para a riqueza dos países de acolhimento.
Mas, mesmo assim, trabalhando, Sónia não teve direito a um visto ou a qualquer documento.
A primeira solução reservada para um cidadão imigrante trabalhador, mas sem documentos, é a deportação.
Boa sorte Sónia. No mundo de hoje, tal como ele está organizado, és uma imigrante não regularizada e, por isso, mesmo que trabalhes muito e sejas uma cidadã exemplar, não te concedem direitos. Não é preciso o documento para criar riqueza, mas é completamente necessário para a concessão de direitos.
Espero que, pelo menos, tenhas direito a recurso para os tribunais, com o devido efeito suspensivo quanto à decisão de deportação. São poucos os países que concedem este direito a uma pessoa não regularizada ou ilegalizada.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Ainda gritaremos golo por todos

Nosso mais querido Pato foi vendido para o Milan.
Lá, vai jogar junto do Ronaldo Nazário, Serginho, Kaká, Cafu e Dida. Ou seja, junta-se a meia selecção brasileira.
Desculpem lá, mas o rótulo que vou dar para este post não é só "desporto".
O marcador que vou pôr também é "imigração".
Tais imigrantes, felizmente para eles, saltam com facilidade os muros.
Só que isso acontece porque têm bons pés e fazem os cidadãos dos países de acolhimento, neste caso a Itália, gritar gol. Por isso, são logo tratados como príncipes. São cidadãos de Roma e não meros peregrini (estrangeiros). A estes últimos se aplicava no Império Romano um direito especial, tal como se passa hoje em dia.
Por dia, dezenas de estrangeiros não conseguem entrar num aeroporto, não conseguem entrar num país. Nunca são notícia. Porém, se isso acontece com um jogador, a notícia corre o mundo e é um escândalo.
Fazer gols (ou golos), hoje em dia, é mais reconhecido do que trabalhar nas fundações das infra-estruturas de um país, em pontes, aeroportos. Ou mesmo na hotelaria e restauração.
É caso para dizer: imigrante sofre, mas só os imigrantes empobrecidos. Estes podem trabalhar, contribuir para o país, mas mesmo assim, têm muita dificuldade em aceder a direitos. Pior ainda se não estiverem regularizados. Neste caso, ainda que se esfalfem para uma entidade empregadora do país de acolhimento, nem a mínima parte da integração, um visto, um estatuto jurídico, conseguem. A não ser se regressarem ao país de origem. Nestas condições de irregularidade, em Portugal, não estão 100, nem 200, nem 1000 pessoas. Estão pelo menos 100.000.
E atenção que são 100.000 trabalhando. Fazendo os seus gols, só que em outros campos.
Mas estes, mesmo que sejam os melhores marcadores servindo ao balcão, ou fazendo comida, ou montando um andaime, ou fazendo as tais fundações das infra-estruturas, têm de regressar ao país de origem para ter o seu visto de trabalho. Mesmo que os seus patrões queiram muito eles aqui. Tais imigrantes também não são notícia quando são corridos do país de acolhimento, ou quando são despedidos sem justa causa e sentem medo de ir ao Tribunal, ou quando lhes roubam a bolsa e não fazem queixa na polícia, por ter medo de receber uma notificação para abandonar o país. Os imigrantes irregulares, mesmo os mais integrados, padecem com estes enormes detalhes, não-direitos, em todo o mundo. Falo da realidade portuguesa por ser a que conheço melhor. E falo de como os emigrantes irregulares portugueses no Canadá sofreram com o acabar das suas vidas estáveis neste país, por não terem um documento, e como sofreram há 40 anos para chegar e estabelecerem-se em França. Tudo tão longe, mas tão recente.
E lembro ainda da actual saída de 150.000 jovens portugueses que têm procurado uma melhor vida em outros países do mundo e na exploração e até escravatura que por vezes sofrem. Tudo tão difícil para os migrantes.
Quanto aos vistos, regressar ao país de origem com facilidade e com a certeza de o receber um título que permita trabalhar, isso só o Pato e seus colegas conseguem fazer.
Evidentemente que estas considerações não afectam todo o carinho e a admiração que sinto por Pato. Mas diga-se que também está na hora dos desportistas lembrarem-se destas coisas quando festejam golos nos estádios. Porquê não levar em baixo da camisa do time uma que diga "também sou migrante", ao invés das habituais "amo-te fulaninha" ou "beba xpto"?
Seria importante, sabendo como o futebol influencia e chega às casas de todos.
As federações desportivas não permitem? Ora deviam permitir, pois isso seria uma forma de lembrar a importância que os imigrantes têm nos países de acolhimento, e falo agora especialmente na União Europeia, em ano europeu de igualdade de oportunidades para todos e em vésperas de ano europeu do diálogo intercultural.
Voltando ao Pato, nossa estrela, que ainda não fez 18 anos, que foi o mote inicial do meu já enorme post, ele faz parte da colecção de heróis que tenho guardada em meu coração.
Com ele, o meu querido Internacional de Porto Alegre, o time do povo do Rio Grande do Sul, alcançou os seus maiores feitos: a Libertadores da América e a super vitória frente ao Barcelona (um super Barcelona, diga-se, favoritíssimo, com Ronaldinho Gaúcho, Eto'o, Deco e as mais poderosas individualidades), na Taça Interclubes Toyota-FIFA (não só Toyota) fazendo do Colorado o campeão do mundo.
Por isso Pato, não só perdoo a tua saída, como ainda te desejo os maiores êxitos no Milan, com excepção dos jogos frente ao Inter de Porto Alegre e ao Benfica.

Se fores politicamente correcto dou-te um "muro"

Complementando o post "muros para cá, muros para lá", venho referir que as declarações do governo de Israel relativas ao muro ainda são muito mais graves. São uma vergonha para qualquer país e especialmente para Israel, que teve sempre o seu povo periodicamente perseguido. Basta olhar 60 anos para trás e lembrar da 2.ª guerra mundial.
Mas há quem não tenha aprendido a olhar o mundo com alguma compreensão e confunda o "politicamente correcto" com palavras ocas.
"Quem precisa deles? São todos cristãos. Precisamos cuidar do futuro de Israel e esta 'aliyah' deve terminar", declarou o ministro ao jornal israelense "The Jerusalem Post".
Para este senhor a resolução do problema da imigração passa por misturar, também, o perigosíssimo conceito de religião. Mais do que politicamente incorrecto é politicamente desastroso. É uma visão de mundo que está em causa. O universalismo contra o particularismo.
A possibilidade de viver-se em conjunto ou a guerra de religiões. Políticos como este semeiam o caos e a divisão. E é à conta destes fulanos que o Médio Oriente vai demorar a sair (se sair) do lamaçal em que está.
E, por fim, a fórmula mágica para evitar a entrada de mais imigrantes é erguer um muro concreto, para além de todos os muros abstractos (que, em verdade, com gajos como este são bem mais concretos e rijos do que um muro de aço) que já se levantam.
Grande obra!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Capital e Miséria = Globalização















Em Coimbra, na mesma rua da tal Livraria que julgo que é a Almedina.*
Miséria... tão internacional como o CAPITAL!!
*E se alguém souber se é a Almedina ou não, comente um post para me esclarecer.