sábado, 31 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Higgs ZdB


Ontem vi o concerto de Daniel Higgs na ZdB.*
Foi realmente um concerto (?) inclassificável e indescritível. Higgs pegou nos formalismos, atirou-os ao chão e pisoteou-os um por um. E correu bem a experiência. Uma coisa muito doida.
Basicamente Higgs abraça-se no seu banjo e improvisa o tempo todo. Mescla isso com alguns comentários e algumas cantorias que soam a improviso. É uma mistura de concerto, conversa e teatro. Sempre com o banjo junto, improvisando, tocando coisas mais certas, improvisando de repente melodias estranhas e mal tocadas. As palmas só vieram 40 minutos depois quando ele disse que ia fazer um intervalo. Porque é isso. Ele vai tocando, sem intervalos.
Fez-se um segundo ato, parecido, o mesmo esquema e comentários a quem ia passando na rua, no outro lado do vidro da ZdB. Conversas doidas, todos fomos fazendo a viagem junto com ele.
No encore ele começou a cantar uma música mais organizada. Mas, depois de uns versos, interrompeu para explicar que era uma música do seu álbum novo. Retomou e a meio foi procurar nos apontamentos espalhados no chão - numa espécie de papiro - os versos que faltavam. Também tocou uma música "com uma nota que nunca tinha usado" e pôs-se ali a improvisar sobre ela...
Enfim, foi mesmo, mesmo, mesmo, mesmo. Nunca tinha visto um negócio assim.
* agora sou sócio da ZdB - vale muito a pena, até em termos financeiros.

:)

Um dia havia de acontecer eu escrever no esquerda.net.
É clicar no link aí em cima para ler o artigo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

infinitamente

começaram a partilhar as suas interpretações do universo e eu fiquei totalmente entediado.

disfarces

No dia seguinte caminhei por Honduras, Costa Rica, El Salvador, à procura do caderninho. Palermo é completamente diferente de dia e de noite. Mesmo assim, apenas sabendo que aquelas notas se tinham perdido num mojito ou numa quilmes, parti em busca de vários bares e várias esquinas da noite anterior. Foi muito difícil. Todas as portas, janelas e recantos estavam completamente disfarçados à luz do dia, como se nada tivessem a ver com a diversão, histórias, romances e álcool que abundavam na véspera.

e o outro

o outro prof. dr. e mais o berimbau disse: longe de mim querer resposta apenas nas leis penais.
foi uma boa manhã.

cidadania

Hoje de manhã o Senhor Professor, Doutorado e o camandro, disse: instrumentos silentes que até hoje perpetuam a discriminação. Calma que houve mais: mecanismos legais que servem para perpetuar o afastamento das pessoas ao exercício de direitos. Continuamos a usar as leis para afastar as pessoas de direitos.
Abriu o debate. Falei dos mecanismos administrativos de controle da regularização dos imigrantes. Mesmo os que trabalham, descontam e pagam IRS não tem resposta clara na lei. Reforcei que entre os "trabalhadores", que deviam merecer uma regularização totalmente consensual, há uma zona cinzenta de exclusão, apenas uma excepcionalidade, que o executivo decide caso a caso. Falei nos não direitos políticos aos imigrantes ou aos nascidos no país que não tem nacionalidade.
E ele frisou de novo: sim, estou me referindo ao conceito de cidadania enquanto mecanismo de exclusão de direitos.
Foi bom de ouvir. No papel, na academia, na construção teórica, considera-se sempre tão absurda a desigualdade baseada na nacionalidade e nas origens. Pena é que entrando no campo da política sejam tão minoritários os que clamam por um tratamento que seja mais igualitário.

só isso

tão só uma questão de querer. ou não, no caso.

segunda-feira, 19 de março de 2012

tão bom

um post curtinho para dizer como o ensaio foi tão bom e para arejar da seriedade do post anterior.
hoje puxei jotasound logo no início e tocamos ela em versão ressaca de ensaios com os 4. foi do melhor.

Investimentos

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, comunicou hoje ao país que o Governo vai criar um visto especial para estrangeiros que invistam no país, para atrair a criação de riqueza e de emprego. Para Portas, quem efetue depósitos superiores a um milhão de euros, quem faça compras imobiliárias de 750 mil euros ou crie 30 postos de trabalho em Portugal, deve ter direito a um visto muito rápido e competitivo para residir aqui.
Portas falou desta sua preocupação, com quem tem todo este dinheiro para investir. Mas talvez devesse olhar para outros imigrantes que já estão em Portugal.
Os trabalhadores imigrantes são dos mais precários entre os precários. Quando ficam em situação de desemprego arriscam-se a ficar sem a sua autorização de residência em Portugal mesmo que já estejam aqui há muitos anos – uma situação dramática.
E, de facto, há diversas situações que deveriam ser corrigidas na lei de imigração para que a lei não penalizasse tanto estes cidadãos. Até para os imigrantes que tenham um contrato de trabalho revela-se sempre uma enorme dificuldade burocrática a sua regularização em Portugal, mesmo que tenham trabalho, efetuem descontos para a Segurança Social e paguem os seus impostos. São pessoas que investem a sua força de trabalho em Portugal e ajudam o país a crescer. E quando acabam por deixar de investir é exclusivamente pelo mercado de trabalho se ter reduzido drasticamente nos últimos anos.
Em momentos como os que se vive, de crise na Europa em contraponto com o crescimento em alguns países com economias emergentes, como o Brasil e Angola, os imigrantes, tal como os portugueses, que ficam em situação de dificuldade económica ponderam o regresso ao seu país ou a busca por melhores condições de trabalho em algum outro lugar.
Esta é uma situação, claro está, que deveria ser combatida com outras políticas em Portugal, criando condições para que as pessoas não sejam penalizadas duas vezes: pela situação de desemprego e pela situação de irregularidade que daí poderá resultar - que por sua vez complicará ainda mais a sua reinserção no mercado de trabalho.
Assim, ao invés do Governo andar a olhar pelos que tem um milhão de euros para investir em Portugal, talvez o melhor fosse olhar também para quem fez outros investimentos que apesar de serem mais pequenos financeiramente, ajudaram Portugal a crescer com a sua força de trabalho, contribuíram e contribuem para a sustentabilidade da Segurança Social e, muito mais importante do que isso, presenteiam o país com as suas culturas e com a diversidade.

LP

já nos conhecemos há tanto tempo e é tão bom estar aqui esta tarde, com a mão na massa.

domingo, 18 de março de 2012

at last a clear sky

às 17h45 eu chegava. pouco depois apareceu o meu tapping - que nasceu ali e me lembra um sintetizador. quase de imediato surgiram os acordes do jota. foi daqueles dias que tudo encaixa de repente e com o processo concluído damos 20 dúzias de gargalhadas sem parar. tocada a parte principal facilmente veio a introdução, que também ficou muito bacana. a guitarra rasgadíssima do joão e os meus ecos são uma combinação brutal. o nome nasceu há poucos minutos. at last a clear sky tem 3 minutos e meio e hoje tocamos 3 horas e meia.

sunshine 3.33


Totalmente deliciado com esta versão de (...) wild horses - temple bar remix. Assim como com todo o cd extra de b-sides de achtung, baby. Seria exagerado dizer even better than the real thing, mas é fantástico nestas estradas musicais despistarmo-nos e chocarmos a 180 kms/h com todas estas misturas diferentes.
U2 é parte substancial da banda sonora: no line on the horizon, pop, achtung baby, all that you can't leave behind.

451

Volta e meia Farenheit 451 aparece na minha vida. Desta vez o não lembrar o número foi importante. Acho que cheguei em 457 e falei do 911 também, do Moore. E que bom que não havia nenhum google perto para descobrir e desambiguar as especulações. É tão aborrecida a exatidão das conversas, a sabedoria completa acerca dos conteúdos.

e a revolução continuou assim

Danton morre. Não há maneira dele perceber que é isso mesmo que lhe vai acontecer. Apesar de toda a história passada, a personagem acha que vai sobreviver. Bastava uma entrada rápida na Wikipedia para deixar de morrer todas as noites, e fugir. Mas ele insiste teimosamente. Eles não terão esta ousadia. Cai, tal como o copo que com um pouquinho de Douro fez o mesmo que um rio - o vinho espalhou-se rapidamente pelas fendas que existiam na mesa, fazendo dela a sua bacia hidrográfica.
Belíssima peça que vi ontem no Teatro Dona Maria II, encenada pelos Artistas Unidos. No passado vi uma outra, sobre o mesmo Danton, no Taborda, encenada pelo Teatro da Garagem. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

efeitos

fiz umas misturas de efeitos que ficaram tão boas. experimentei ontem no ensaio. um é muito guitarrista pro e fica um pouco descontextualizado, apesar de ser bom de tocar e improvisar uns riffs em cima - eu pelo menos sinto isso. com ele dá para fazer umas músicas de discoteca. ou seja, nada a ver com o meu momento e o som dos understood. mas o outro efeito lembra alguns delays do the edge, com um temperinho pequenino de um teclado, lá no fundo. em termos de programação os efeitos são muito parecidos. basicamente no primeiro há uma distorção e no segundo não há. e muda tudo.