domingo, 6 de março de 2005

Querer a morte


Em Mar Adentro, entramos na vida de Ramón Sanpedro (será que se escreve assim?).
Uma vida que certamente foi mais dura do que se demonstra no filme. Sendo que no filme já é uma vida muito difícil.
A reinvindicação de Ramón correu o mundo. O direito a morrer dignamente.
Enquanto todos (não todos, eu sei, mas a maioria) lutam para viver e crescer, Ramón batalha pelo fim de sua vida. Por o mesmo já não ter a faculdade de crescer?
Certo é que não o podemos julgar. Só quem está naquela situação o poderá fazer.
Mas quem está numa situação tão frágil, terá capacidade de julgar?
E, se não a própria pessoa, quem poderá fazer este julgamento? Terá alguém esta capacidade? Poderá um indivíduo ter este poder? Será razoável que se decida que já não existe outra alternativa a não ser acabar com a vida de alguém?
Dúvidas para as quais eu não tenho respostas, nem tenho a pretensão de ter. É um assunto verdadeiramente delicado. Não permite conversas de café, nem votações num site da internet.
O filme é por isso muito importante para nos fazer pensar sobre a eutanásia.
Uma questão a ser tratada com pinças, pois (que grande lugar comum, mas é isto mesmo que sintetiza) a morte não tem retorno, nem permite arrependimentos.

1 comentário:

Fernanda disse...

Interessante... porque eu pensei nessa perspectiva também, uma reflexão sobre a eutanásia...mas, não vi ainda 'Mar Adentro', foi 'Menina de Ouro' que despertou um vendaval de sentimentos.