Hoje estou-me vingando, com outras injustiças, com as bandas erradas (The National) e com quem não merece.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Espatifanço de conceitos
É preciso espatifar todos os conceitos e preconceitos que existam para justificar e criar limitações ou para reduzir a criatividade. Nas artes isso é fundamental. Tudo bem, há as escolas, é preciso amar quem para trás fez coisas importantes e que mobilizaram a sociedade para artes. Mas mais pela manifestação de sua criatividade, pelo abrir caminho, pelo ensino. Jamais por dogmas ou pela imposição de um sistema, de uma técnica, de uma pauta fechada. Colégios, ordens, conselhos que sirvam para julgar qualquer manifestação artística, considerá-la boa ou má, instituições que se arroguem dessa competência fazem calafrios às artes, ao que deve ser uma manifestação mais pessoal, ou do que apetecer ao criador no momento, do que de um dever ser. É o risco do sistema vencer a criatividade, de um artista se tornar mais executante do que criador. O artista deve ser executante se assim o quiser, se tiver vontade. Pode seguir uma linha se quiser. Caso não queira deve poder simplesmente ignorar o que existe. Um dia pode decidir dar atenção, se quiser. Até lá pode inventar as suas claves.
Caminhadas

Sexta passada vim a pé para o trabalho. É sempre fantástico. Lisboa.
A última rua que pego é essa da foto, com vista para a Assembleia da República.
Há 3 partes emblemáticas do caminho (e das quais gosto muito): o Largo das Portas do Sol, a Rua da Academia das Ciências e a Travessa da Arrochela (da foto). Recentemente, por outras razões, incluí a Rua Luz Soriano. Comecei a entrar por ela no Bairro Alto.
O percurso que faço é óptimo. Acho que dá para sugerir para guias turísticos.
Simples mas complicado
Peace of me, parecendo simples, é difícil de tocar.
Tem de se estar numa sintonia, numa onda, num sentimento.
Costumo tocar muitas vezes para sair bem como quero.
Sob este olhar
Agora com as teclas a olhar para mim, me abraço na guitarra muito mais horas seguidas.
Porque isso?, me perguntaram. Eu não sei. Talvez porque fique com coisas por dizer e agora perceba que na guitarra consigo dizer mais. Mas as teclas dizem outras coisas. Não posso estudá-las de jeito nenhum, para não viciar a linguagem (já bastante afectada pela da guitarra).
Stereo e requiem
Ontem encontramos a chave dos stereo nas gravações. Tão fácil e tão difícil. Foi daquelas coisas simples que nos embriagam de alegria. Agora é voltar a gravar tudo e isso é tão bom. Há muito trabalho pela frente. As gravações ganham imenso com isso e as músicas já tiveram ligeiras alterações.
Ah, ontem saiu também "Requiem num fim de tarde de fim de semana". Acho que o nome é esse. Ficou boa a música. Andamos trabalhando nela há semanas. Ela aparecia aos bocados. Foi juntá-los e fazer umas colagens. Gosto de colagens. E até gosto que se note isso (o JP não tanto). O requiem tem um paradoxo. É a nossa música mais alegre e a que tem o nome mais triste.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Argentina e a sua valente goleada
Pior do que a tareia que a Coreia do Norte levou de Portugal (7-0), só a Austrália e a Argentina que levaram 4 secos da Alemanha na Copa 2010. Sim, a Argentina.
A Argentina, do cara aquele que não fez gol nenhum na Copa. Acho que o nome dele é Messi.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Último II
Li nas profecias do Nostradamus.
Último
O último debate do Estado da Nação com Sócrates como Primeiro Ministro.
Sobre o PII
O Ante-projecto do Plano para a Integração de Imigrantes está em discussão pública, até ao dia 23 de Julho.
É uma boa notícia. É o seguimento e consolidação do primeiro plano, que tinha mais medidas (122). Este tem 90 medidas. Faço aqui uns pequenos apontamentos pessoais, pensando em voz alta.
1) É excelente ver no papel o que o Governo quer fazer sobre os imigrantes no país para os próximos anos. É um caderno de encargos. É estar expresso o que o Governo pretende;
2) Não considero plausível o argumento de que o PII cria estigmatização. Acho importante que haja, ainda que em sentido teórico (o Plano é teoria que abre a possibilidade da prática), uma preocupação com pessoas que tem maiores dificuldades de integração precisamente por serem estrangeiros. Contra o argumento de que deviam estar inseridos num documento mais geral, o que acho é que ia haver a referência aos estrangeiros à mesma. É uma questão incontornável e que deve ser atacada sem complexos, sem medos. Quanto à inclusão no Plano contra a pobreza, acharia desastroso. A não ser que à partida não se escreva sobre estrangeiros uma palavra. Seria estigmatizar mais. Os estrangeiros representam trabalho não pobreza;
3) O PII tem ideias boas e está bem organizado. Costuma é ter metas modestas. As metas modestas são assim porque o Governo quer apresentar o plano cumprido no fim do período em causa. Ora, o que é essencial é aproveitar as ideias e ultrapassar as metas todas;
4) É preciso fazer uma valente e analítica avaliação do PII anterior. Posso estar errado e a mesma ter sido feita. Se foi feita este relatório tem de ser enviado a todas as associações de imigrantes;
5) Há coisas para além do PII, como é óbvio e que devem ser pressuposto de qualquer PII, se não estiverem assentes no mesmo. A regularização, o combate à irregularidade através da concessão de uma autorização de residência é o maior mecanismo de integração. Quem não tem visto não conta, essa é uma verdade, quando se está na vida prática;
6) Com a crise, com o disparar do desemprego, não se pode deixar os imigrantes a não conseguir renovar a sua autorização de residência por não terem trabalho. É fundamental flexibilizar a renovação das autorizações de residência, ainda que as pessoas fiquem por um período grande sem trabalho, enquanto estão à procura de emprego. Isso não altera nada na concessão de subsídio de desemprego: deve ser igual ao dos cidadãos portugueses, como é óbvio. Agora, não se pode arruinar a vida das pessoas, metendo-as num ciclo desemprego, não renovação de residência, impossibilidade de arranjar trabalho, expulsão;
7) Sobre participação política, a mais importante medida está fora do plano. Também não diz respeito ao Governo é certo. Mas é impossível não falar sobre isso. Vem aí a revisão constitucional. O direito de voto tem de ser alargado para todos os que estejam em Portugal há determinado tempo e para todos os órgãos de soberania. "No taxation without representation" para todos.
Justiça
Um excelente jogador, numa forma extraordinária. Fiquei surpreso com a justiça da atribuição. Achei que iam desencantar algum jogador das equipas finalistas, por isso nem quis criar expectativas. Mas não houve hipótese. Forlan foi mesmo o melhor com a Jabulani nos pés.
Muro de aço
De repente somos inflexíveis e ponto final. É uma sensação estranha para mim. Resulta de muita flexibilidade para trás. De pagar para ver. De ter tentado acreditar. De ter tentado que resultasse.
Ficou muito claro o que acho do assunto, ainda mais para mim. Nestes momentos, de confronto de ideias, é que consigo ver bem o que acho de um assunto. Muitas vezes cedo. E, de facto, muitas vezes cedo porque acho que há ali um argumento importante da outra parte e que é importante haver um consenso. Acho que tem sido acertado agir assim, não tem dado mau resultado. Mas há coisas que já não são possíveis de consensualizar e que, para mim (até agora foi só neste assunto) é mesmo tudo ou nada. Não há nada a restaurar ou a corrigir. É impossível alcançar isso. E nem sequer é uma preocupação que devamos ter, face à questão em si, à forma como foi avançando a mesma.
Foi. Ponto final. Agora é começar a procurar.
* Sei que a foto não é de um muro de aço, mas não vou mudar o nome do post.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Música como deve ser
"Não percebes nada pá", ele disse.
Depois baixou a voz: "é música porreira, ouve...", e sussurrou: "é música revaloceanária".
sábado, 10 de julho de 2010
88 vangelis

Tranquilidade e paz depois de um dia de trabalho árduo. E mais a história de um teclado que ganhou vida de repente. E uma guitarra que tocou junto uma melodia. Empatia. Surpresa. Deslumbramento? Sim, felizmente. Melodias tristes? Acho que não. É dos efeitos.
o efeito, além do que faz título, era o 46, que apelidei de "david lynch"
o efeito, além do que faz título, era o 46, que apelidei de "david lynch"
sexta-feira, 9 de julho de 2010
A clareza, os sapos e a fase basta regressam quando menos se espera

Volta a clareza. Volta a dureza, o pavor a sapos, a fase basta, mesmo que as discussões não ocorram expressamente. Às vezes pintar por cima não chega, mesmo que o nó e as estruturas sejam boas. E sei quem segura isso tudo. As pessoas não sabem e sem sequer imaginarem abalam as estruturas. Acham que quem as segura suporta tudo. Na verdade não querem saber.
Cultura de paz

Levantei cedo hoje. Apanhado pela vontade de saber mexer bem no Sonar! Já o tenho há tanto tempo e agora é que a vontade de entendê-lo me consome. Graças à música dos Understood. Tudo tem seu tempo, diz uma outra voz. Esta voz é de ontem, mas foi lida hoje.
No caminho passo numa rua, hoje mais cedo do que é o habitual, e encontro a tranquilidade e paz, que estão passeando por ali. Quase dá para tocá-la. Aceno e sigo para o meu trabalho (fonte de nervos) com desejo de ter sido intoxicado por toda aquela paz. E eis que sento na minha mesa, dou uma passada na sala de convívio internética do SC, resolvo ler e ver Música, Cultura de Paz e Mudanças e vejo que estamos em sintonia. Se há uns dias escrevi no Facebook "se não fosse a música e as artes viver não tinha graça", encontro no post de SC a frase "Temos a arte para não morrer de verdade".
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Holanda - Espanha na final
Confesso que apesar de pouco me interessar quem ganha ou perde, agora fiquei interessado em ver o jogo da final. Duas equipes que nunca ganharam uma copa. A primeira vez da Espanha na final, contra a finalista vencida de 1974 e 1978. Talvez vá ser um bom jogo. O jogo da vida dos dois times. Uma espécie de agora ou nunca.
Mas quem quero que ganhe? Isso não sei. Tenho todas as antipatias e nenhuma simpatia por esta Holanda e por esta Espanha.
Vazio
Entretanto, depois de sofrer pelo Brasil, por Portugal e pelo Uruguai, agora já não há, para mim, mais paixões (nem grande interesse) neste Campeonato do Mundo.
Há motivos para torcer para uns ou outros (Holanda, Alemanha e Espanha, neste momento), mas nada definitivo, tudo muito racionalizado e por isso mesmo tudo muito vazio.
3-2

Sofri pelo Uruguai. Muito. Vi o jogo com a Holanda na frente do Campo Pequeno, no mesmo lugar onde Portugal caiu frente à Espanha. E, se eu desisti no 3-1 e comecei a ir para casa, o Uruguai não desistiu e ainda fez o 3-2. Quando ouvi na rádio o resultado, pensei: "eles não desistiram".
Por isso também que gostei do Uruguai. Uma equipa a sério, que jogava a sério, e disputava cada lance como se fosse o último. Por isso normalmente ganhavam a bola. Sem grandes estrelas, a não ser o Forlan, mas com muita vontade. Uma lição.
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