sexta-feira, 27 de junho de 2008
Descaramento total
Como este, a UE pede compreensão à América Latina.
Em palavras simples, é mais ou menos isso que a UE diz: queremos expulsar todos os não regularizados, mas olhem, tenham compreensão pois isso podia ser pior: com os regularizados isso não vai acontecer, nem com os requerentes de asilo.
Pudera! Isso assim é que estavamos mesmo no nazismo ou no fascismo. Desculpem lá, valem algumas coisas mas não andar chamando as pessoas de burro.
A América Latina não deve ter compreensão nenhuma numa matéria que apenas favorece aqueles que exploram os trabalhadores imigrantes e, diga-se, à permanência de situações de desamparo e exploração da imigração irregular.
Se a Europa continuar assim, se o diálogo não funcionar, lamento, mas acho que a América Latina deve mesmo reponderar parcerias económicas, já que não defendo a reciprocidade, ou que se aplique a ninguém estas medidas absolutamente vergonhosas que a UE quer aplicar aos imigrantes, toda esta xenofobia, toda esta rotulagem dos imigrantes.
É lamentável e deixo claro que não é toda a Europa que pensa assim. Acho que numa generalidade, em Portugal não se pensa assim, por exemplo e ainda. O "ainda" está aí porque esta directiva tem a força de mudar mentalidades e os efeitos desta lei podem ser devastadores e imprevisíveis no imaginário dos nacionais perante os imigrantes.
A pressão desta directiva é muito difícil de conter, como no artigo se diz, se pretende "harmonizar" legislações. Por isso, a médio prazo, algum Governo vai se lembrar de fazer isso aqui no ponto mais ocidental da Europa, ou agravar mais a situação dos imigrantes. E, em certos países da Europa (como em Espanha) já se pondera endurecer as legislações.
Compreensão da América Latina? A Europa iria gostar se se fizesse o mesmo com os seus cidadãos? Há muitos não regularizados europeus em solo da América Latina, só que a América do Sul não anda a fiscalizar as pessoas, e bem. O Equador então, abriu, e bem, as suas portas, há 15 dias atrás.
Compreensão? Porque não a Europa experimentar compreender os seus trabalhadores imigrantes que ainda estão em situação não regularizada?
Era bom a Europa rever as suas posições enquanto é tempo. Não só porque a reciprocidade irá certamente surgir - e será mau para os cidadãos europeus no mundo - mas sim pelo que queremos para o nosso futuro mundo.
Continentes fechados em si próprios, países fechados, nacionalismos exacerbados? Claro que não, isso sempre deu mau resultado.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Regresso à base
uns passos no chão de madeira meio apodrecido
o tapete em tempos vermelho, hoje esbranquiçado, alegra-se e liberta o pó acumulado
a porta acorda, lamentando, a ranger, que lhe mexam na fechadura enferrujada
esta porta não esperava despertar o interesse de mais ninguém
mas ali está alguém - e quer acessar às suas memórias esquecidas
o alguém entra no quarto e afinal não é alguém
os móveis a reconhecem de imediato, pelo cheiro, pela pisada sofisticada
"cem dias sem fim procurei nos loiros montes
e no negro céu me perdi
procurando o largo sorriso
que se transformou em sombrio"
o tapete em tempos vermelho, hoje esbranquiçado, alegra-se e liberta o pó acumulado
a porta acorda, lamentando, a ranger, que lhe mexam na fechadura enferrujada
esta porta não esperava despertar o interesse de mais ninguém
mas ali está alguém - e quer acessar às suas memórias esquecidas
o alguém entra no quarto e afinal não é alguém
os móveis a reconhecem de imediato, pelo cheiro, pela pisada sofisticada
"cem dias sem fim procurei nos loiros montes
e no negro céu me perdi
procurando o largo sorriso
que se transformou em sombrio"
Comissão Nacional Justiça e Paz
Comunicado da CNJP sobre a DIRECTIVA SOBRE REGRESSO DE IMIGRANTES ILEGAIS
A aprovação da Directiva do Parlamento Europeu e do Conselho relativa ao regresso de imigrantes em situação ilegal suscita o alerta e protesto da Comissão Nacional Justiça e Paz, que se une à voz de outros organismos católicos e de outras denominações cristãs, bem como de associações de defesa dos direitos dos imigrantes de vários países europeus.
Entendemos que a identidade e cultura europeias se têm enriquecido ao longo da História com os contactos e o diálogo com povos de todo o mundo. Esta abertura pode, mesmo, considerar-se uma marca da identidade e cultura europeias.
Reconhecemos também que, no contexto actual, a imigração representa um recurso económico que responde a carências decorrentes da crise demográfica na Europa.
A imigração deve, pois, ser encarada mais como uma oportunidade do que como uma ameaça.
A União Europeia pretende afirmar-se como referência na protecção dos direitos fundamentais da pessoa humana e reclama dos Estados que a ela se candidatam patamares exigentes no que a essa protecção diz respeito. O necessário controlo legal dos fluxos migratórios, que não queremos pôr em causa, não deve fazer-se, pois, com sacrifício desses direitos básicos, consagrados na Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, na Convenção Europeia dos Direitos do Homem e nas Constituições dos Estados membros.
À luz destes princípios, não podemos deixar de apontar como negativos e inaceitáveis os seguintes aspectos do regime da Directiva agora aprovada.
A possibilidade de detenção de imigrantes ilegais por um período que pode chegar aos dezoito meses representa um desproporcional e discriminatório atentado ao direito à liberdade. Desproporcional, porque não está em causa uma conduta que, pela sua danosidade social ou perigosidade, possa ser equiparada a um crime. A esmagadora maioria dos imigrantes ilegais desempenha actividades laborais que satisfazem necessidades económicas e sociais dos países de acolhimento e, em muitos casos, a entrada ilegal de imigrantes não tem impedido a sua posterior legalização. Não pode ignorar-se, também que, com frequência, os imigrantes ilegais, não só não representam um perigo social, como são verdadeiras vítimas de redes de imigração ilegal, quando não até vítimas de tráfico de pessoas. Trata-se de um atentado à liberdade discriminatório porque não seria certamente aceitável uma tão severa restrição da liberdade (superior, em duração, até à que corresponde a crimes já com alguma gravidade) no que aos nacionais diz respeito.
Por maioria de razão, afigura-se inaceitável a possibilidade de detenção de crianças, que a Directiva prevê, ainda que «como último recurso» e rodeada de particulares cautelas.
É igualmente inaceitável (fora dos casos de prática de crimes ou perigos para a segurança pública e a segurança nacional) a interdição de readmissão na União Europeia de quem antes tenha entrado ilegalmente, por período que pode ir até cinco anos. Esta sanção é, também, desproporcional e, por outro lado, contraproducente na perspectiva do combate à ilegalidade. Há, com frequência, casos em que o regresso ao país de origem se torna particularmente penoso e perigoso para a pessoa em causa, que pode, até, ver em risco a sua sobrevivência. Impedir a sua readmissão pela via legal pode, assim, contribuir para que a ilegalidade se mantenha e tornar o imigrante em situação irregular uma “presa” fácil de redes (estas, sim, ilegais a merecer um enérgico combate) de auxílio à imigração ilegal ou tráfico de pessoas.
Não se ignora que a Directiva não impede que as legislações nacionais consagrem regimes mais favoráveis, como sucede, nalguns aspectos, com a legislação portuguesa. Mas é de lamentar que, ao contrário do que tem sucedido noutros domínios, como o da protecção da saúde pública ou do consumidor, em que o direito europeu se guia pelos parâmetros de maior exigência de entre os vários direitos nacionais (e representa, pois, um progresso em relação a estes), neste domínio, a unificação legislativa tome como parâmetro de referência as legislações menos exigentes no que diz respeito à protecção de direitos fundamentais.
No contexto actual de mais uma grave crise de confiança no ideal da unidade europeia, importaria reforçar a afirmação dos valores em que assenta esse ideal, entre os quais assume relevo primordial o do respeito pela dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais. Lamentamos ter que reconhecer que a aprovação das normas mencionadas não contribui para a afirmação desses valores e contradiz o espírito do Tratado de Lisboa que reconhece aos direitos, liberdades e princípios constantes da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia o mesmo valor jurídico dos Tratados.
Nota: Comunicado decidido na reunião Plenária da Comissão Nacional Justiça e Paz realizada a 18 de Junho 2008
A aprovação da Directiva do Parlamento Europeu e do Conselho relativa ao regresso de imigrantes em situação ilegal suscita o alerta e protesto da Comissão Nacional Justiça e Paz, que se une à voz de outros organismos católicos e de outras denominações cristãs, bem como de associações de defesa dos direitos dos imigrantes de vários países europeus.
Entendemos que a identidade e cultura europeias se têm enriquecido ao longo da História com os contactos e o diálogo com povos de todo o mundo. Esta abertura pode, mesmo, considerar-se uma marca da identidade e cultura europeias.
Reconhecemos também que, no contexto actual, a imigração representa um recurso económico que responde a carências decorrentes da crise demográfica na Europa.
A imigração deve, pois, ser encarada mais como uma oportunidade do que como uma ameaça.
A União Europeia pretende afirmar-se como referência na protecção dos direitos fundamentais da pessoa humana e reclama dos Estados que a ela se candidatam patamares exigentes no que a essa protecção diz respeito. O necessário controlo legal dos fluxos migratórios, que não queremos pôr em causa, não deve fazer-se, pois, com sacrifício desses direitos básicos, consagrados na Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, na Convenção Europeia dos Direitos do Homem e nas Constituições dos Estados membros.
À luz destes princípios, não podemos deixar de apontar como negativos e inaceitáveis os seguintes aspectos do regime da Directiva agora aprovada.
A possibilidade de detenção de imigrantes ilegais por um período que pode chegar aos dezoito meses representa um desproporcional e discriminatório atentado ao direito à liberdade. Desproporcional, porque não está em causa uma conduta que, pela sua danosidade social ou perigosidade, possa ser equiparada a um crime. A esmagadora maioria dos imigrantes ilegais desempenha actividades laborais que satisfazem necessidades económicas e sociais dos países de acolhimento e, em muitos casos, a entrada ilegal de imigrantes não tem impedido a sua posterior legalização. Não pode ignorar-se, também que, com frequência, os imigrantes ilegais, não só não representam um perigo social, como são verdadeiras vítimas de redes de imigração ilegal, quando não até vítimas de tráfico de pessoas. Trata-se de um atentado à liberdade discriminatório porque não seria certamente aceitável uma tão severa restrição da liberdade (superior, em duração, até à que corresponde a crimes já com alguma gravidade) no que aos nacionais diz respeito.
Por maioria de razão, afigura-se inaceitável a possibilidade de detenção de crianças, que a Directiva prevê, ainda que «como último recurso» e rodeada de particulares cautelas.
É igualmente inaceitável (fora dos casos de prática de crimes ou perigos para a segurança pública e a segurança nacional) a interdição de readmissão na União Europeia de quem antes tenha entrado ilegalmente, por período que pode ir até cinco anos. Esta sanção é, também, desproporcional e, por outro lado, contraproducente na perspectiva do combate à ilegalidade. Há, com frequência, casos em que o regresso ao país de origem se torna particularmente penoso e perigoso para a pessoa em causa, que pode, até, ver em risco a sua sobrevivência. Impedir a sua readmissão pela via legal pode, assim, contribuir para que a ilegalidade se mantenha e tornar o imigrante em situação irregular uma “presa” fácil de redes (estas, sim, ilegais a merecer um enérgico combate) de auxílio à imigração ilegal ou tráfico de pessoas.
Não se ignora que a Directiva não impede que as legislações nacionais consagrem regimes mais favoráveis, como sucede, nalguns aspectos, com a legislação portuguesa. Mas é de lamentar que, ao contrário do que tem sucedido noutros domínios, como o da protecção da saúde pública ou do consumidor, em que o direito europeu se guia pelos parâmetros de maior exigência de entre os vários direitos nacionais (e representa, pois, um progresso em relação a estes), neste domínio, a unificação legislativa tome como parâmetro de referência as legislações menos exigentes no que diz respeito à protecção de direitos fundamentais.
No contexto actual de mais uma grave crise de confiança no ideal da unidade europeia, importaria reforçar a afirmação dos valores em que assenta esse ideal, entre os quais assume relevo primordial o do respeito pela dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais. Lamentamos ter que reconhecer que a aprovação das normas mencionadas não contribui para a afirmação desses valores e contradiz o espírito do Tratado de Lisboa que reconhece aos direitos, liberdades e princípios constantes da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia o mesmo valor jurídico dos Tratados.
Nota: Comunicado decidido na reunião Plenária da Comissão Nacional Justiça e Paz realizada a 18 de Junho 2008
segunda-feira, 23 de junho de 2008
O mestre e a batuta
É que é mesmo incrível!
Parece que fazem questão de que a pessoa se sinta mesmo estrangeira e sob a batuta da arbitrariedade.
Complex
Se um cidadão comunitário passa por tantas dificuldades para resolver uma questão no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, tendo entregue todos os documentos exigíveis e até não exigíveis mas solicitados, imaginem o que é para uma pessoa de um país 3.º à União Europeia.
[às vezes parece que é mesmo uma luta impossível]
[às vezes parece que é mesmo uma luta impossível]
Enorme desafio
Solar dois minutos para uma plateia, entrando assim, de chofre, now or never, é mesmo uma das coisas mais difíceis de se fazer - pelo menos para o autor deste post.
Ouvindo, depois das intensas dificuldades, vi que não havia corrido tão mal como eu tinha pensado, enquanto executava.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Quanta diplomacia, quanta vergonha
Uma situação embaraçante e vergonhosa sempre merece muita explicação. Ninguém entende à primeira vista. Nem à segunda. Nem à terceira. E, se for preciso, se finge entender a história, mesmo que seja uma maluquice, só para não deixar o interlocutor constrangido.
A desculpa começa sempre com uma frase: "isso não é bem aquilo que vocês estão pensando". Enfim todos já ouviram falar neste tipo de situações. As desculpas de mau pagador, o papo-furado, a conversa para boi dormir e muitos mais ditos.
Não se pode dizer que sejam uns sem-vergonha. Os países europeus sabem que estão agindo errado ao aprovar uma directiva tão desumana e por isso vão se desdobrar em diplomacia.
O que eles vão dizer já se sabe: esta directiva, este instrumento jurídico emanado pela União Europeia, que servirá de medida para os países da União, não se aplica, não tem qualquer consequência nos estados membros. Será isso.
Vão querer dar a ideia de que isso não passa de um desenho feito num guardanapo numa mesa de bar. E não é. É um instrumento de pressão, que vem legitimar o endurecimento das leis de imigração dos países europeus.
Aliás, parece que incrível que a União Europeia não dê valor às próprias leis que aprova. Se assim é, se tem tanta vergonha, se estão tão embaraçados, se não é para aplicar, porque aprovam directivas tão envergonhantes?
FGI
Acho que consegui dizer tudo o que tinha a dizer.
Qual é a medida?
Só porque Chávez disse que não irão ter petróleo venezuelano os países europeus que aplicarem a mundialmente conhecida e embaraçosa Directiva da Vergonha, aprovada no Parlamento Europeu.
Mas para Solana não é totalmente desproporcional, nem apenas desproporcional, pelos vistos, a faculdade que a directiva da vergonha dá, de manter em detenção, por 18 meses(!) uma pessoa, só porque a mesma não tem documentos na União Europeia. Ou deter crianças, também não é desproporcional.
Se eu estiver enganado me expliquem que eu corrijo, mas talvez para Solana a proporcionalidade seja uma questão mais relacionada com petróleo do que com direitos humanos.
Se Solana tem tanta certeza da desproporção, porque não nos explica de uma vez quanto vale em barris de petróleo o prazo de detenção de um trabalhador imigrante que não tem documentos e que precisaria da protecção dos estados.
Ou, talvez seja a altura da Europa explicar a quanto está o valor dos direitos humanos na bolsa, face ao preço do petróleo.
Talvez conseguissem nos dar alguma pista para explicar outros ainda mais nefastos desrespeitos aos direitos humanos, como a guerra no Iraque.
Entrada nos últimos quilómetros (apesar de ainda faltar bastante)
É bom ver a luz no fim do túnel.
É boa a sensação de começar a vislumbrá-la.
Caminhar, caminhar, caminhar. Não pensar muito, não perder muito tempo com isso. Ir fazendo o que compete - mas a sensação de estar entrando na recta final até redobra o ânimo.
No caminho ir fazendo algumas coisas boas, pinturas no túnel, melhoramentos, ampliações, colocando luzes, pensando nos que participarão posteriormente do desafio.
Já falta relativamente pouco. Já faltou tanto.
Houve um tempo em que era só o início.
Game over - restart
Escrevi o comentário que se segue, no post Auf Wiedersehen, no Arrastão.
Foi por pouco.
É interessante ver que Deco está em grande forma porque teve um ano a amargar o banco de suplentes.
Acho que Scolari é um grande treinador. Mas acho que pagou caro (e ele não passou muitas vezes por isso) por 2 teimas: Paulo Ferreira, que nunca (nunquinha) jogou bem pela selecção e por Ricardo (um líder, mas em baixo de forma).
Mas a questão de Ricardo até acho desculpável. Meter um outro guarda-redes no Euro, com a sombra de Ricardo é sempre muito difícil. Quem fosse escolhido estaria a pisar brasas. Tinha de ser muito bom psicologicamente e está certo que Ricardo não foi. E depois das coisas acontecerem é mais fácil ver.
A Alemanha é o que é. São muito experientes. O Brasil também é assim, muitas vezes. Assistem o jogo grande parte do tempo e depois fazem 3 jogadas e matam o jogo. Mas os alemães estiveram aflitos, em algum tempo do jogo.
Foi pena, Portugal tinha boa equipa, mas este era o jogo em que isso tinha de ser provado.
Ainda não foi desta - estou pior que estragado.Porém, confesso, nunca vou engolir aquele jogo com a Grécia em casa.
Era ali.
Ali sim era mais fácil do que com os alemães a jogarem ao lado de casa. E era o jogo da taça.
Bola para a frente Portugal, com um novo treinador, desejando não sentir a falta de Felipão - digam o que disserem é um grande desafio substitui-lo.
Foi por pouco.
É interessante ver que Deco está em grande forma porque teve um ano a amargar o banco de suplentes.
Acho que Scolari é um grande treinador. Mas acho que pagou caro (e ele não passou muitas vezes por isso) por 2 teimas: Paulo Ferreira, que nunca (nunquinha) jogou bem pela selecção e por Ricardo (um líder, mas em baixo de forma).
Mas a questão de Ricardo até acho desculpável. Meter um outro guarda-redes no Euro, com a sombra de Ricardo é sempre muito difícil. Quem fosse escolhido estaria a pisar brasas. Tinha de ser muito bom psicologicamente e está certo que Ricardo não foi. E depois das coisas acontecerem é mais fácil ver.
A Alemanha é o que é. São muito experientes. O Brasil também é assim, muitas vezes. Assistem o jogo grande parte do tempo e depois fazem 3 jogadas e matam o jogo. Mas os alemães estiveram aflitos, em algum tempo do jogo.
Foi pena, Portugal tinha boa equipa, mas este era o jogo em que isso tinha de ser provado.
Ainda não foi desta - estou pior que estragado.Porém, confesso, nunca vou engolir aquele jogo com a Grécia em casa.
Era ali.
Ali sim era mais fácil do que com os alemães a jogarem ao lado de casa. E era o jogo da taça.
Bola para a frente Portugal, com um novo treinador, desejando não sentir a falta de Felipão - digam o que disserem é um grande desafio substitui-lo.
A pergunta que dói tanto, já lá vão 4 anos
2-3 e o sonho abatido sem dó nem piedade.
Mas porque raios perdemos a oportunidade contra os gregos, em casa, na final?
Quantos anos mais?
Contra a directiva da vergonha
Ana Gomes, eurodeputada do PS;Além disso, em Portugal um conjunto de 40 associações e organizações subscreveu uma declaração pública e organizaram uma concentração. E a PERCIP uniu-se também à luta.
E em diversos pontos da Europa a contestação alastra, como se vê aqui nesta petição on-line, onde as iniciativas estão sendo publicitadas.
O que acaba por ser marcante é que após a aprovação desta vergonhosa directiva, aqueles que a aprovaram e aqueles que a defendem estão sozinhos no mundo. Ninguém nunca vai compreender porque dar um sinal tão forte contra os imigrantes na Europa.
Aqueles que a aprovaram e a admitem estão fechados no seu castelo, não querem que ninguém entre para os fazer companhia, querem dar uma mensagem aos imigrantes não regularizados de que este problema se resolve com a expulsão e não a legalização das pessoas, ao mesmo tempo que decorre o Ano Europeu do Diálogo Intercultural.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Correcção ao post anterior
40 organizações
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Concentração contra a directiva da vergonha - apenas 10 pontos (há muitos mais)
1) 39 associações e organizações subscreveram a declaração pública;
2) A directiva do retorno, não por acaso foi apelidada "da vergonha", em toda a Europa;
3) Pode chegar a 18 meses o prazo de detenção de um imigrante que não está regularizado;
4) Ideia de Europa: virar as costas ou abraçar os seus imigrantes? Assim, a Europa está virando as costas;
5) 2008 - Ano Europeu do Diálogo Intercultural, ironia;
6) 2.º Semestre de 2008 - França de Sarkozy quer centrar o debate europeu na Imigração, mas na parte das expulsões e repatriamentos;
7) A Europa deve reconhecer o contributo extremamente positivo dos seus imigrantes, em todos os aspectos;
8) Pressão securitária, xenófoba sobre os países da UE;
9) Os países se sentem menos tentados a regularizar os imigrantes não regularizados ainda;
10) A tendência das legislações será sempre, mesmo que não a curto prazo, nivelar com os limites da directiva.
2) A directiva do retorno, não por acaso foi apelidada "da vergonha", em toda a Europa;
3) Pode chegar a 18 meses o prazo de detenção de um imigrante que não está regularizado;
4) Ideia de Europa: virar as costas ou abraçar os seus imigrantes? Assim, a Europa está virando as costas;
5) 2008 - Ano Europeu do Diálogo Intercultural, ironia;
6) 2.º Semestre de 2008 - França de Sarkozy quer centrar o debate europeu na Imigração, mas na parte das expulsões e repatriamentos;
7) A Europa deve reconhecer o contributo extremamente positivo dos seus imigrantes, em todos os aspectos;
8) Pressão securitária, xenófoba sobre os países da UE;
9) Os países se sentem menos tentados a regularizar os imigrantes não regularizados ainda;
10) A tendência das legislações será sempre, mesmo que não a curto prazo, nivelar com os limites da directiva.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Voltar ao século passado
Para Cavaco, hoje é o dia da Raça.
domingo, 8 de junho de 2008
O Tigre e os Lobos - parte III (final à vista?)
Um dos assuntos do fim de semana, de um tigre que não se sabe muito bem por onde anda, fez-me lembrar alguns posts antigos: O Tigre e os Lobos; O Tigre e os Lobos parte II.
Pesquisando por "tigres" na Aldeia Blogal encontrei ainda o muito estranho e profético, de Março de 2007, "Por Enquanto". Apesar de não ter escrito pensando em nada relacionado com os posts posteriores que acima refiro, meti um tigre. E o pior é que isso tudo parece uma fábula.
Afinal, como está o tigre? Alguém sabe?
É uma história com suspense até ao final (ou não).
Alento
"Estás bem, a jogar bem. Já não estás com aquela falta de alento de antes."
O elogio é uma ferramenta incrível, é um ampliador quase incomparável de potencialidades.
Com um elogio, uma palavra de motivação, quase tudo passa a ser possível. Os limites se ampliam, as fronteiras se alargam, mais coisas passam a ser passíveis de realização.
Fiz por combater a "falta de alento". Mas demorou.
Porém, houve um dia que acordei e decidi que tinha de fazer algo para vencer o torpor. Iniciou-se a procura.
E das palavras amigas que ouvi, impressionou-me mais a parte do reconhecimento da falta de alento de antes. E foram meses (um pouco mais do que isso) jogando mal, sem alegria, sem vontade. Era tão palpável e durou tanto.
Felizmente veio a parte do questionamento, que demorou a aparecer. E é inacreditável o quanto aturei o desconforto. Hoje pergunto-me porquê. A resposta não é simples, estava fazendo outras coisas, é difícil estar sempre colocando perguntas a si próprio. Há pouco tempo para isso e é preciso andar em frente. Porém, também não se pode andar em frete.
Felizmente acordei e encontrei dois pontos de acção (de tão fácil execução! quanto tempo perdido!) que em conexão deram-me não só alguma melhoria técnica (mas técnica já estava quase toda em mim), mas principalmente o alento, a vontade, a motivação. Descobri horários incríveis nos meus dias da semana, é impressionante. Por exemplo, o horário de Sábado às 8 da manhã. É verdadeiramente incrível.
E, não posso deixar de dizer que o prémio que me dei abriu um leque grande de novas possibilidades. Não tanto como o acordar que tive, nem como seguramente vale o elogio de hoje. Porém, teve um impacto muito superior ao que eu pensava, ao perigo que eu julgava estar correndo de a sua concretização não passar de um capricho consumista.
Entusiasmar-se e procurar com isso um efeito de bola de neve, que atinja outros pontos da minha vida, no entanto, é o que verdadeiramente acho que busco.
Os balanços se irão fazendo.
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