segunda-feira, 4 de agosto de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

Podia ser muito melhor

Passado mais de um ano sobre a entrada em vigor da nova Lei de Imigração, dos 56000 imigrantes que se candidataram à regularização em Portugal, apenas 12000 alcançaram o título de residência que lhes reconhece o seu contributo para o país. E que permite a estes trabalhadores a saída da irregularidade laboral e o poder prestar a sua actividade profissional com dignidade e direitos. Podia ser tanto mais. Podia ser tão melhor. Era tão fácil integrar estes trabalhadores e tirá-los a todos da clandestinidade das suas vidas.
Porque não possibilitar o trabalho com direitos a estas pessoas?
Há quem ache que o índice de 21 % de deferimentos às candidaturas ao art. 88.º, n.º 2 da Lei de Imigração é, para já, suficiente. Mas é pouco.
Como ficam os 79% que estão de fora? Serão esquecidos?
A directiva da vergonha tem este tipo de influências. De repente, o pouco até parece muito, se se abusar da comparação com outros países, ou se se comparar com as maldades que serão possíveis fazer quando se puder aplicar a directiva, este diploma que significa um retrocesso tão grande.
Para não falar do contigente que pretendem aplicar aos imigrantes. Apenas 8500 trabalhadores por conta de outrem se poderão regularizar, por ano. Quando se diz que há quase 100 mil não regularizados e destes 56000 pessoas que demonstram que tem um trabalho (a candidatura ao processo do art. 88.º n.º 2 implica obrigatoriamente apresentar um prova de trabalho) é um contingente manifestamente pequeno, irrisório e uma resposta frágil ao drama dos trabalhadores imigrantes não regularizados.
Na verdade, na prática, no mundo do trabalho, quando há 56000 pessoas integradas em empresas ou a trabalhar para alguém, isso é sinal de que estão sendo necessárias. Não há outra interpretação satisfatória, a não ser interpretações que colocam os trabalhadores imigrantes sob suspeita e que são inaceitáveis para um país com tradições humanistas face às migrações, como é Portugal, um país que há mais de um século tem os seus trabalhadores viajando pelo mundo e ajudando outros países a crescer.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Publicidade indirecta

"Só se molha quem quer!"
Gritava o vendedor de guarda-chuvas no meio da chuva de Porto Alegre.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Brique com quase chuva

Podem dizer que estava chovendo. Em coro até, como fizeram.
Na verdade, ainda não estava.
Mas eu precisava era passear por ali. Sentir o chão do Parque da Redenção, ver e ouvir as pessoas. Ainda por cima começa agora a campanha eleitoral. Eu nem sequer queria comprar nada.
Fui mesmo que fosse apenas para ouvir as pessoas dizendo: "vamos fechar a banca por causa da chuva". Ouvi isso, de forma indirecta, não sei se o fizeram - é preciso viver e para isso é preciso ganhar dinheiro, ainda que dinheiro sejam alguns centavos das poucas pessoas que iriam se aventurar no Brique com chuva.
Pelo caminho, comi uma empada de camarão com palmito.
E, quando a chuva forte chegou, meti-me no Maomé para tomar um dos raros expressos bons de Porto Alegre e ler uma Veja de Março que estava por ali, ainda bastante actual, uma vez tinha um artigo muito bom sobre ética (ou mais propriamente sobre a falta dela).

domingo, 27 de julho de 2008

Dúvida Scandurrariana

Terei eu força para pegar e pagar um táxi, com toda esta chuva lá fora, para tentar ir à Reitoria da UFRGS ver o Edgard Scandurra, que toca dentro de 1 hora e 7 minutos no Festival de Inverno de Porto Alegre, correndo o risco de não ter ingresso?
Esta é a dúvida que assalta a minha mente enquanto escrevo estas palavras.
Resolvi me aconselhar com um amigo de bom senso (agora falta 1 hora e 2 minutos par o show). O senso dele diz que apenas irei me molhar e que não haverá ingressos, que são muito baratos.
Sigo o conselho, mas sinto-me um pouco conservador.
"Percorri as montanhas e os vales em volta. (...) Sempre algum mistério perenemente aguardando na extremidade da rota. Mais colinas pelo meio, sempre mais vales a partir das colinas, e o apelo do desconhecido no extremo da rota. Porque na ponta da rota há sempre uma porta."
Carlos Quiroga, in Inxalá - Espero por ti na Abissínia

sexta-feira, 25 de julho de 2008

196 - 2004

Com o presente post, de número 197, a Aldeia ultrapassou os 196 posts de 2004!
Chegará aos 227 de 2005?
2008 vai bem lançado, parece ser o ano dos obstáculos ultrapassados aqui no blog.
Mas nunca se sabe se a fonte da escrita mantém-se ou se cessa de repente.
Por isso, mais foguetes, se houver motivo, só no post 228. E ainda faltam 31 para chegar lá.

Da fraude à esperança e à independência, em poucas linhas

Este post é uma fraude, na qual eu não vou, deliberadamente, escrever nada de especial, nada que se aproveite, nada que valha por si mesmo, pois ele só tem a finalidade de servir de pretexto para a escrita do post seguinte.
Este post, por ser um post dependente, subordinado, subjugado, súbdito, vale pouco por si mesmo. É um instrumento, uma ferramenta e um escravo.
No entanto, ele deve tentar emancipar-se porque, bem vistas as coisas, ele tem o seu valor. Em realidade, o seguinte post também depende deste para existir. Note-se isso.
Mas este post, que começou sendo uma fraude, e que em poucas linhas até passou a ter o seu valor, deve ser ele próprio a lutar para ver reconhecida a sua importância.
Viva os posts rebeldes e não acomodados.
Afinal este post fraudulento (?) acaba bem, com uma mensagem de esperança.

Esmolar guitarras e acabar em cana

Regressado a Porto Alegre, hoje andei tocando violão nas lojas para matar a vontade. Na verdade, queria comprar um para deixar aqui, nesta margem do Atlântico.
Mas me apaixonei pelo Talent II da Di Giorgio. E não pude dar vazão ao sentimento. Uma paixão de 919,00 Reais (com um belo case, atenção). Acresce que um talento destes não poderia ficar abandonado aqui - eu não conseguiria ficar longe. E como ele chegaria a Lisboa, viajando num porão frio de um avião?
Para afogar as mágoas, só mesmo dois pastéis e um caldo de cana bem fresquinho, que foi o que fiz, depois de ter 2 talentosos violões destes nas mãos. O que eu devia fazer era passar tocando nas lojas durante os próximos 15 dias. Como farei 15 dias sem tocar!
Na verdade achava que ia ser fácil comprar um pedaço de madeira qualquer com cordas. E não consigo.

Nós é que agradecemos

quinta-feira, 24 de julho de 2008

2-0 no frio

Inter - São Paulo.
Frio em Porto Alegre. Os jogadores do Inter jogaram de manga curta, os do São Paulo de manga comprida. Indício de que há alguma verdade nas piadas sobre o pouco frio que sentem os gaúchos.
O resultado do jogo foi ótimo.

Bons de bola

"Os brasileiros são bons de bola porque seus filhos, em vez de estar na escola, estão jogando futebol."
Thierry Henry

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O feitiço vai se virar contra o feiticeiro

Ao menos o humor é garantido.
O Primeiro-Ministro não consegue fazer autocrítica, não se lembra, ou não quer ver, qual foi a opinião do PS durante a discussão e aprovação do actual Código do Trabalho. Que bom que a discussão das presentes alterações vai fazer-se e que os "socialistas" querem esmiuçar o debate. O PS actual vai ser desmascarado.
Note-se que o PS, tal como o BE e o PCP, posicionou-se contra o actual Código do Trabalho, este que Sócrates e Vieira da Silva agora querem piorar. O patronato agradece a mudança de posição.
Quem estiver interessado conheça as propostas do PS na altura da discussão do actual Código e se instrua contra os embustes do PS, sabendo que na oposição o PS foi um e que o actual é bem diferente. Fica o lugar onde tudo pode ser consultado: Discussão do Código do Trabalho da coligação de direita.

Jorge Drexler

Eu ainda não ouvi, mas vem fazendo muito sucesso aqui na América do Sul.
" (...) Drexler foi aplaudido de pé e encantou o público que tinha todas as canções na ponta da língua".

RJ em poucas frases

A Lapa, no Rio de Janeiro, à noite, vale muito a pena.
Nunca tinha visto tanta festa junta. Nunca tinha visto tanta gente.
O Carioca da Gema, que astral! Fantástico. Cidade respirando cultura. Lisboa também é assim, atenção. Mas o Rio é mais festeiro. A escola de samba ensaiando ao fim da rua.
O receio, que vendem em doses industriais (acho que é a dose a questão), em poucos segundos se transformou em sede de viver tudo aquilo.
O Rio me encheu as medidas. Merece um regresso digno.

A grande contradição

Saudades de Lisboa.
Da sua luz, dos seus miradouros, do Bairro Alto.
Estas 3 coisas, tão redutoras e tão absolutamente sedutoras.
Há muitas mais.
O café. O Chiado. As livrarias.
Tenho medo de ser injusto e esquecer coisas tão boas desta cidade fantástica.
O Tejo.
Tudo.

Começa em geografia e acaba numa consideração

Depois do Rio de Janeiro, Porto Alegre, aqui estou eu, no centro do Rio Grande do Sul, em Santa Maria.
Já foi o tempo de Santa Maria, tempo passado que insistem em lembrar por aqui. Acho que um dia será o tempo de Santa Maria outra vez. Sinceramente. Porém, neste momento, e ainda, não é o seu tempo.
Mas o certo é que em muitas biroscas do meu Estado paga-se com um cartão de outra parte do mundo. Esta globalização correu bem - porque os bancos querem e quando estes querem tudo avança.
Podiam querer mais coisas, mas que fossem justas e se destinassem ao bem comum.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Enigmas

Há uma música que toca e eu não sei explicar.
Há um poema que leio e que não consigo decifrar.
Tantos são os enigmas num tempo em que o tempo voa.
Tantos os obstáculos, que teimam em se esconder à minha frente.