terça-feira, 20 de maio de 2008

A electricidade acabou. A música vinga sempre.

"As luzes voltaram finalmente, mas apenas as que iluminavam a plateia. O palco continuava sombrio e vazio até que Adriana Calcanhotto subiu de novo ao palco e à cappella, sem o apoio do microfone que continuava mudo, presenteou com mais três canções o público que ainda resistia: «Quem Vem Pra Beira do Mar», «Maresia» e terminou «Mulher sem razão».
Dentro do coliseu apenas havia Adriana. Uma parte da audiência levantou-se dos seus lugares para se ir sentar no chão à frente do palco, mais perto de Adriana. Cada música foi aplaudida de pé.
Dentro do Coliseu um silêncio sepulcral apenas quebrado pela voz ténue da cantora. Qualquer barulho inocente na audiência era desde logo silenciado pelo público.
Adriana cantava, mas mais parecia que contava histórias com o público sentado em seu redor, a seus pés, em seu redor."
Eu não posso deixar de dizer que achei legal o sucedido.
Porquê? Sinceramente não sei explicar bem. Seria certamente bom ouvir o show todo (e faltava seguramente um pouco mais de um terço), com a qualidade do costume. Porém, ainda que ouvisse mal, acho que foi fantástico ver Adriana (e a sua banda) voltando ao palco, assumindo uma enorme responsabilidade, cantando sem microfone, sem efeitos, com os instrumentos desligados, celebrando as músicas que compôs e que já são um pouco mais do público do que dela.
E o público! Aquele silêncio absoluto para ouvi-la! Nem se mexer na cadeira deveria ser permitido a uma pessoa.
Além de tudo, é uma excelente história para contar.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Entre as 20, aposto que estas 2 estão de fora

Se no Indie Lisboa de 2019 algum Blade Runner tiver Twenty Questions a fazer a dois perdidos numa noite suja que deambulem perto do Museu do Oriente, certamente nenhuma será sobre Corações ou sobre se Shine a Light não terá mais músicas a incluir (certamente terá).
Ou outra forma de conseguir colocar em 2 linhas um monte de coisas que estive vendo e que não sabia como pôr aqui no blog.
Adenda: 2 linhas não, mas sim 4 ou 5. Melhor: uma frase.

Sempre serão lembrados

Dois génios que acabaram as suas carreiras em 2008.
O maior tenista brasileiro de todos os tempos: Gustavo Kuerten.
Um dos maiores jogadores de futebol de Portugal: Rui Costa.
Tive sorte. Sempre torci para ambos.
O Rui no Benfica e o Guga sempre que conseguia vê-lo jogar.
O Rui sempre foi genial, mesmo neste último ano de Benfica, jogando sozinho.
Já o Guga o negócio era celebrar tudo o que viesse. Como festejei o Master em Lisboa, contra Agassi. Na verdade, tinha a certeza que aquilo era um momento único na carreira de Guga e no ténis brasileiro. Um brasileiro conseguia acabar, não sem dificuldade, um ano na frente do ranking ATP.
Infelizmente será muito difícil o Brasil ter algum jogador que se compare ao Gustavo Kuerten, demolidor de Roland Garros e enorme surpresa na época.

Konngol Renndo

Ou, a "voz da sociedade", em Pulaar, língua falada em diversos países de África. Fula, como os portugueses chamavam.
Aprendido na Pós: Gerir Projectos em Parceria. Há tanto que se aprende conversando nas aulas, no sussurro que os professores não ouvem. Aquilo que não vem no programa e que é tão ou mais importante do que tudo: a interacção intercultural.
- Que revista é esta?
- Está escrito em que língua?
- O que significa isso?
p.s. - o interlocutor era Bubacar Baldé, Presidente do Centro Português de Estudos Árabe-Pulaar e Cultura Islâmica.

Cinema no céu

No vôos de ida e regresso de Cuenca, assisti a 2 filmes interessantes à sua maneira.
Enquanto August Rush procura os pais, que não conhece, e vai tocando muita guitarra, Michael Clayton é um ex-polícia, meio advogado (?), procurando voltar às causas justas e à verdade.
Gostei mais do Augusto do que do Miguel, mas acho que mais por um critério musical do que por outra coisa. Na verdade, o August é mais um filme musical (gostei da músicas, atenção) simpático, de Domingo à tarde (onde tudo corre muito bem e há direito a pipocas), enquanto o Michael é mais um daqueles filmes de advogados justiceiros.
Mas, para o que era preciso ambos chegaram e sobraram, ajudando a passar o tempo à medida que eu ia voando e atravessando o Oceano Atlântico e América do Sul.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Perda de tempo

Pena é que no movimento associativo as pessoas percam tanto tempo tentando se pisar e com sectarismos que só atrapalham.
Ao invés de se dedicarem só ao trabalho, jogam-se baldes de tempo pela janela com coisas que nem consigo nomear muito bem.
As políticas securitárias e restritivas agradecem àqueles que só olham para o seu cantinho e pensam que alguma vez 1 vai ser mais do que 2 ou que tentar crescer à custa dos outros leva a algum lugar.
É pena tanta cegueira, tanta perda de tempo.

Blog da PERCIP

A PERCIP - Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades Imigrantes em Portugal - já tem um blog. Ainda não tem postagens, mas o endereço já está: http://www.percip.blogspot.com.

terça-feira, 13 de maio de 2008

O vício de fumar em locais proibidos

Fumar faz mal:
No céu
e na Terra.

Bem apanhado

- Depois do tal concerto tens escrito pouco.
- Pois é, e tenho tanta coisa que escrever...
- E como tens muito para escrever não escreves nada.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Voto de pesar II

Acho que o Bloco, o PCP ou até Manuel Alegre, podem começar a pensar em apresentar um voto de pesar ao verdadeiro Partido Socialista.
E acho que não haverá qualquer questão quanto à referência ao "partido de Abril", que foi.

Não dava nem para corrigir a argumentação

O PS, o PP e o PSD não podiam argumentar que o homem nasceu em Abril, mesmo que se quisesse fazer uma confusão de datas ou eventos.
O Cónego Melo nasceu em Outubro.

Voto de pesar

Para que não se diga que se instrumentalizou qualquer coisa, dou a presente notícia de forma muito objectiva.
O PS deixou passar na Assembleia da República o voto de pesar pelo falecimento do Cónego Melo. E respeitou o minuto de silêncio a este senhor. Atenção que nem todos os socialistas ficaram na sala. Muitos abandonaram a sala, entre eles Manuel Alegre e Teresa Portugal. E 4 socialistas votaram a favor do pesar. Leio agora que alguns do PSD também saíram.
O PP acenou com uma alteração ao texto para o PS se abster.
Tendo sido retirado do texto a referência ao Cónego Melo como um "homem de Abril", o PS deixou o voto aprovar-se.
p.s. (post scriptum, traduzo, para não confundir com o Partido Socialista): A parte escrita a verde é a única parte mais subjectiva do texto, mas parece que foi isso que se passou pelas palavras do deputado Strecht e porque tal expressão não iria desaparecer do texto do voto por única iniciativa do PP. Se isso não corresponde à verdade, expliquem o que se passou e prometo que faço uma errata.

Joe em Lx

Um depoimento do concerto do Joe, no Macacos Sem Galho.
Prometo escrever o meu em breve.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

"Liberdade ao capital, se faz favor" - PS

É óbvio que o PS é a favor da anarquia para os hipers (ou pelo menos está a fazer-se rogado para os seus amigos das grandes empresas), por isso, admite liberalizar este comércio ao Domingo.
Claro que é compreensível ouvir isso do PSD e do PP. Do PS é que vamos nos habituando a ouvir.
Na coerência PS é uma medida boa:
1- ataca os fins de semana dos trabalhadores (normalmente por turnos, nem do Domingo se irão safar);
2- ataca as famílias dos trabalhadores (que nem ao Domingo terão a sua unificação);
3- beneficia os lucros dos hipers (sempre a laborar);
4- beneficia as Empresas de Trabalho Temporário (que tem uma quota imensa de trabalhadores nos hipers);
5- desmantela e quase aniquila as Pequenas e Médias Empresas do comércio tradicional, que ficam quase sem forças.
Agora, eles obviamente vêm com o seu "grande argumento": criam mais emprego.
Mas só podem, evidentemente, estar a agir da mesma forma PS de agir, que é não contar que estes novos empregos serão pouquíssimos. Na verdade o que irá acontecer é mais exploração massiva dos trabalhadores que já lá estão. E mesmo a meia dúzia de empregos novos que se irão criar não seria mau, se não fosse o tipo de emprego que é: altamente precário.
Parabéns ao Belmiro de Azevedo. O PS quer-lhe fazer todas as vontades.

MayDay

"Querem-nos precários, rebeldes nos terão".
"Recibos para a gaveta, esta lei é uma treta".
Manifestação dos precários, MayDay, no 1.º de Maio, dia dos trabalhadores - as principais vítimas do governo mentiroso do PS de José Sócrates.