segunda-feira, 20 de setembro de 2004

Catastrófe!

A propósito da injustiça que é a limitação do pedido de Abono de Família da Segurança Social aos titulares de Autorização de Residência (leia-se ao menor portador de Autorização de Residência) o senhor Miguel, cidadão santomense, vítima desta injustiça, porque só tem Autorização de Permanência, sendo que o filho ainda não tem qualquer visto, resumiu numa palavra toda a sua (nossa) revolta:

"Isto é uma catastrófe!"

Nunca tinha me apercebido, mas catastrófe é francamente mais grave do que uma simples catástrofe.

A aparição

Bom fim de semana o que passou.
Entre outras coisas, o meu computador voltou para casa, depois de 2 meses passeando (estava com um problema).
A festa de aniversário do António e da Maria.
A festa de aniversário da Maria João.
A aparição de sexta feira.
O café do lago de espelhos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

O primeiro ano da Aldeia Blogal

Não podia deixar de festejar aqui o primeiro ano deste blog, que vem acompanhando os meus dias e me dando oportunidade de guardar alguns dos meus pensamentos e algumas das coisas que quero recordar.
Há montes de coisas que não ficam aqui gravadas. E algumas que nem podem ficar. Mas elas acabam por ficar nas letras das músicas e nos poemas ou de maneira mais ou menos explícita.
O importante é que o blog acabou por criar vida própria e neste momento não é bem ele que vive para mim, mas sou eu que já sinto necessidade de lhe dar alimento e de preferência bom alimento, para não ficarmos todos enjoados.
Um ano é um ano e me lembro ainda de como foi complicado "postar" o primeiro texto, achando que podia ter erros e que cada erro era visto por todos os milhões de terráqueos.
Bem, estou satisfeito e vou continuar a cuidar deste espaço.
Parabéns para a Aldeia.

Livros para Timor - Leste

Pode enviar-se livros para Timor, como correio Económico (2kg=2,75 euros).
A Embaixada de Portugal em Dili em resposta a um e-mail de uma Sra. que se chama Ana Afonso, informou que são necessários manuais escolares de todas as disciplinas do 1º ao 12ª anos, com excepção de História de Portugal e Línguas Estrangeiras.
E que poderá ser enviado outro tipo de material, nomeadamente, Enciclopédias, livros de Banda desenhada, Atlas, Romances e Livros de Aventuras (direccionados mais para os jovens).
O material pode ser remetido para: Embaixada de Portugal em Díli - Serviços de Educação - Rua Presidente Nicolau Lobato, Díli - Timor Leste

quinta-feira, 16 de setembro de 2004

O Grêmio faz aniversário e o Inter é quem faz a festa

Carlos diz:
veio ontem foi o anivesario do Gremio: 101 anos
Carlos diz:
demos 2X0 para eles festejarem por muitos anos de vida
Carlos diz:
por isso vamos la
Carlos diz:
PARABENS A VOCE NESTA DATA QUERIDA MUITOS ANOS DE VIDA! PARABENS A VOCE
Carlos diz:
LIGUEI para o Ervin, gabriel e filho da Zelia (felipe) para dar os parabens
Carlos diz:
o Ervin principalmente disse que eu estava debochando dele! imagina eu fazendo isso
Carlos diz:
para o meu amigo de loja trouxe um chocolate
Carlos diz:
ahahahahahahha
Carlos diz:
melhor que vencer da Argentina é vencer do Gremio
Gustavo (viva o CSKA) diz:
é verdade
Gustavo (viva o CSKA) diz:
posso por esta tua conversa no meu blog?
Carlos diz:
É a primeira vez que ha um Gre-nal por uma competição sul americana
Carlos diz:
fazem 3 anos que começou e é reconhecida pela fifa
Carlos diz:
é o nome é deste campeonato é SUL AMERICANA
Carlos diz:
o Cuca treinador de futebol que chegou no gremio há dois jogos esta dizendo que quer 5 contratações ate 6 feira
Gustavo (Inter 2-0 Grêmio (de aniversário estes, 101 anos) diz:
ehehehhehehehehehee 5! eu acho q precisa 22! ate amanha!
Carlos diz:
data limite para as contratações para o Brasileiro de 2004 ou segue a sua vida
Carlos diz:
ja jogou a toalha ontem no final do jogo
Gustavo (Inter 2-0 Grêmio (de aniversário estes, 101 anos) diz:
espirito gremista
Carlos diz:
frases do Tecnico do gremio conforem esta na Zero hora de hoje:
" O Gremio toma um gol e acaba o mundo"
" é preciso ter uma reação, do contrario nao salva"
Não vou esperar o final do mes para receber o salario tem que reagir
"dinheiro se nao tiver da um jeito o que nao pode e cair para a Segunda divisão
Carlos diz:
ahahahahahaha ele esta apavorado
Gustavo (Inter 2-0 Grêmio (de aniversário estes, 101 anos) diz:
ehehhehehehehehe, tambem aonde foi se enfiar
Gustavo (Inter 2-0 Grêmio (de aniversário estes, 101 anos) diz:
pobres diabos vão descer
Carlos diz:
outra do cuca
" se nao mudar a atitude e a fotografia do time nada vai mudar
Gustavo (Inter 2-0 Grêmio (de aniversário estes, 101 anos) diz:
cara esperto

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

O mundo está doente

Índios

Letra: Renato Russo
Música: Legião Urbana

Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
e o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
É só maldade então, deixar um Deus tão triste

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda, assim pude trazer você de volta pra mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim

E é só você que tem a cura para o meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente

Tentei chorar e não consegui.

domingo, 12 de setembro de 2004

A bola rolou na praia

A Casa do Brasil de Lisboa ficou em segundo lugar no I Torneio de Futebol de Praia dos Imigrantes, realizado na praia de Santo Amaro de Oeiras.
Neste torneio, organizado pelo ACIME (Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas), participavam 4 equipes. A saber: África; Brasil; Ucrânia; Resto do Mundo.
A Casa do Brasil era a representante do Brasil, como é óbvio.
Nosso time, no qual tive a honra de jogar, ainda que pouco tempo, porque a areia pesa imenso, teve os seguintes resultados:
No primeiro jogo vencemos o Resto do Mundo (que era o time do ACIME), por 3-0.
No segundo jogo, com a África, empatamos 0-0.
No terceiro jogo, pegamos de novo a África, na final, e fomos batidos por 2-0, ficando assim no segundo lugar.
O nosso segundo lugar foi uma óptima colocação e mesmo nós brasileiros (que achamos sempre que o segundo lugar é o primeiro dos últimos) consideramos bom. A equipe da África joga já há muito tempo junta, já tem um monte de campeonatos nos pés. Ia ser estranho se fosse fácil batê-los no torneio.
Como na minha opinião um time é um time, é um bloco, uma coisa só, não vou destacar os nossos melhores jogadores. Também, sinceramente, na areia é difícil destacar os melhores, porque aquilo nem é bem futebol, é uma guerra. Complicadíssimo de se jogar, para ganhar é necessário que o time seja uma massa muito homogênea, porque não há muitas condições de resolver os jogos com jogadas individuais.
Assim, destaco o time todo, com excepção apenas do Anderson, nosso capitão, que merece muitas palmas, pois tem levado muito a sério a nossa equipe, agendando torneios e jogos.
Aliás, era ele quem merecia ter ido receber a taça no palanque (e não eu) e receber dois beijinhos daquela mexicana que era uma verdadeira princesinha. Na hora o Anderson me pediu para eu ir, eu insisti que ele fosse, mas ele achou melhor ser eu e eu acabei tendo também esta honra.
Parece que o resumo do Torneio irá passar no dia 19/9/2004, no programa de TV do ACIME, "Nós", transmitido na RTP 2, aos Domingos de manhã, por volta das 10:00.
Ainda é preciso fazer referência que neste torneio não se mostrou nenhum cartão e sublinhar o facto de ter imperado, na maior parte dos casos, o espírito de Fair Play.
Parabéns para todos nós.

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

Tudo serve

At the immigration desk, somewhere in Europe:
- Your name?
- Abu Dalah Sarafi.
- Sex?
- Seven times a week.
- No, no, no..... male or female?
- Male, female and sometimes a camel !

terça-feira, 7 de setembro de 2004

Pérola do Bushismo

Fugiu-lhe a boca para a verdade.
É uma pena que eu não tenha arranjado a data e local destas declarações, mas vi-as na TV e outro dia encontrei a citação na internet.
"Our enemies are innovative and resourceful, and so are we.
They never stop thinking about new ways to harm our country and our people, and neither do we"
George W. Bush

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

A história do traço do 7.

Mais um facto histórico que anda a circular na net, verídico e de fontes fidedignas.

Eis a explicação sobre porque é que certas pessoas fazem aquele traço horizontal no meio do algarismo 7 (que, como se vê aqui, não pertence ao número).
Conta a lenda que uma multidão estava reunida aos pés do Monte Horeb, para ouvir os 10 mandamentos serem proclamados por Moisés.
Quando, ao chegar no sétimo mandamento, Moisés disse em alto e bom som "Não cobiçarás a mulher do próximo!", a multidão instantaneamente gritou, num sonoro coro:
"Corta o sete, corta o sete!"

Bush nos Jogos Olímpicos

Isto anda circulando na net e deve ser verídico. Aliás, é capaz de não ser, mas apenas pelo facto de o Bush não ter feito um discurso de abertura dos Jogos Olímpicos.

Bush begins his speech to open the Olympic Games:

He looks at his paper and says:

- Ooooo! Ooooo! Ooooo! Ooooo! Ooooo!

An aide comes over and whispers:

- Mr. President, these are the Olympic rings... Your speech is below.

terça-feira, 31 de agosto de 2004

O mar português

Sem dúvida, além de termos um Ministro da Defesa e do Mar (apesar de esta última pasta ser uma surpresa para o próprio), temos um cientista.
E foi por isso que Paulo Portas esclareceu a todos nós que:
"O nosso mar territorial não é uma selva".
Dito assim, pode não parecer muito relevante.
Mas é uma informação essencial.
Se ele não avisasse, provavelmente teríamos em Portugal dentro de pouco tempo, para além das activistas do "Woman on Waves", outros activistas, no âmbito ecológico, pois o tráfego intenso de barcos na selva, seria obviamente um risco para os animais.
Assim, fica já estabelecido, e quem melhor para o fazer que o Ministro do Mar, que o mar, pelo menos em Portugal, não é uma selva.
Fica a sugestão para que o mesmo Ministro nos diga qualquer coisa sobre o seu Governo. Ficaríamos todos mais descansados se ele fizesse alguma declaração do tipo:
"O mar português não é uma selva e o Governo de Portugal também não".

Mas as declarações são tão bonitas que merecem ser publicadas dentro do seu contexto, para não termos dúvidas da veia científica-artística-poética do nosso Ministro da Defesa e do Mar.
«Considero que não se deve usar de cinismo nesta matéria. Portugal é um país soberano e faz aplicar a sua lei no seu mar territorial. O nosso mar territorial não é uma selva», disse.
E acrescentou, com muita coerência e nenhuma demagogia:
«Se Portugal fizesse uma excepção neste caso, amanhã nenhuma autoridade marítima ou portuária teria autoridade para combater a pesca ilegal no mar, para combater o tráfico de droga no mar ou para combater a imigração ilegal que se faz por via marítima», sublinhou Paulo Portas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2004

O Hino do Internacional de Porto Alegre

Celeiro de Ases
Nélson Silva, 1957

Glória do desporto nacional
Oh, Internacional
Que eu vivo a exaltar
Levas a plagas distantes
Feitos relevantes
Vives a brilhar

Correm os anos, surge o amanhã
Radioso de luz, varonil
Segue a tua senda de vitórias
Colorado das glórias
Orgulho do Brasil

É teu passado alvi-rubro
Motivo de festas em nossos corações
O teu presente diz tudo
Trazendo à torcida alegres emoções

Colorado de ases celeiro
Teus astros cintilam num céu sempre azul
Vibra o Brasil inteiro
Com o clube do povo do Rio Grande do Sul

sexta-feira, 20 de agosto de 2004

Voem borboletas!

Correr atrás de borboletas
Mário Quintana

"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz
com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, de não precisar dela.
Percebe também que aquele (a) cara que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem (a mulher) da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"

O Mário Quintana, poeta, já faleceu, mas vive no coração de todos os porto-alegrenses.

sábado, 7 de agosto de 2004

Há-des ter o visto

Duas frases que guardei esta semana:

"Um dia há-des ter comigo", frase proferida no autocarro 42.
"A Bernardina tem tudo. À Bernardina só falta o visto.", frase proferida no CNAI, pela própria.

Quero no escuro

"Minha Casa"
Zeca Baleiro
Intr.G
G C/G G
é mais fácil cultuar os mortos que os vivos
C/G G
mais fácil viver de sombras que de sóis
C
é mais fácil mimeografar o passado
G
que imprimir o futuro
D/F#
não quero ser triste
C/E
como o poeta que envelhece
D/F# G
lendo maiakóvski na loja de conveniência
D/F#
não quero ser alegre
C/E
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
D/F# G
sob o sol de domingo
A
nem quero ser estanque
C G
como quem constrói estradas e não anda
D/F#
quero no escuro
C/E D/F# G 2X
como um cego tatear estrelas distraídas
minha casa
A C G
amoras silvestres no passeio público
A C G
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
D/F#
tempestades que não param
C/E
pára-raios quem não tem
D/F# G 2X
mesmo que não venha o trem não posso parar
veja o mundo passar como passa
C/G G D
uma escola de samba que atravessa
C Em
pergunto onde estão teus tamborins
C Em G
pergunto onde estão teus tamborins
C D Bm
sentado na porta de minha casa
C Em
a mesma e única casa
D/F# G
a casa onde eu sempre morei

quinta-feira, 29 de julho de 2004

O Correio do Brasil

Escrito no dia 25 de Julho, pelas 18:40

Há cerca de 30 minutos, acabei a escrita do meu último artigo para o semanário "Correio do Brasil".
Foi o 24º texto. Andava nisto há 6 meses.
Foram 6 meses muito intensos e de grande aprendizado. De muita disciplina, de bastante pressão. Escrever semanalmente é uma experiência emocionante. Então para quem não tinha o hábito de escrever com esta cadência, foi, no princípio, uma situação difícil de gerir.
Mas, enfim, depois consegui pegar o ritmo, ainda que tenha tido de me servir de um dia do fim de semana para retocar o texto. É que, no meio disto tudo, em Abril, comecei a trabalhar em outro lugar e foi ainda mais complicado vencer a parada.
É uma pena que no dia 29 saia o último número do "Correio do Brasil". Na minha coluna, intitulada "Pergunte ao Advogado", ficaram muitas coisas por dizer.
Senti, sempre, que a minha coluna era uma forma de esclarecer as pessoas sobre os direitos que tem. Por isso sempre dei primeiro lugar para a legislação dos estrangeiros, que é algo que ainda é pouco explorado pelas publicações. Sempre tentei esclarecer as pessoas nas questões que, no meu trabalho diário, me apercebo que tem mais dúvidas. Mesmo aquelas dúvidas que parecem  impossíveis de alguém ter, mas que na prática acontecem.
Bom, tentei seguir este critério, que acho que até deu certo. Acredito que ficaram imensos temas por tratar, mas, se tivesse oportunidade de escolher, não trocaria nenhum dos assuntos que abordei.
Acresce que este fim tão repentino do CB não estava nos planos de ninguém. Foi uma morte de ataque cardíaco, de um jovem que tinha tanto para dar a nós todos. Um fim meio trágico.
No CB conheci excelentes pessoas. Como a Paula Ribeiro, a quem agradeço a oportunidade que me deu, a aposta que fez em mim. A Paula, além de escrever maravilhosamente bem, é uma excelente profissional, sempre preocupada com que as coisas saiam perfeitas. E vê-se que que tem um gosto imenso pelo que faz, como eu. Em outra perspectiva, eu e a Paula temos a mesma "idade portuguesa", penso que chegamos os dois em 1988. Também conheci outra pessoa sensacional, a Madalena, que sempre me tratou super bem, muito atenciosa. E conheci um pouco melhor o Jair, que já tinha encontrado em outras ocasiões.
Mas no CB conheci outra coisa: a difícil batalha de um jornal, a guerra que é a semana.
Só por esta experiência, já sinto que cresci alguns centímetros. Mas ainda ganhei mais: a responsabilidade de ter que escrever com clareza, conteúdo (que tem de estar sempre 100% correcto), forma, organização e simplicidade (para tentar chegar a todos os leitores). Por ter sido uma experiência tão importante para mim, não queria deixar de compartilhar convosco e comigo (acho sempre que é mais dirigido para mim o que escrevo) que foi um prazer, ainda que bem trabalhoso (assim o prazer é certamente maior), escrever no Correio do Brasil.

sábado, 24 de julho de 2004

A música que estava tocando enquanto o médico fazia o nosso parto

Achei interessante o site: diz a música e o grupo que estavam no top no dia do nosso nascimento e artistas que compartilham o nosso aniversário.
Descobri que o Roy Orbison é do meu dia e que o album do top no dia em que nasci era o Presence, dos Led Zeppelin.
A música era "Save Your Kisses For Me" de algum grupo que se chama Brotherhood Of Man. Esta música não conheço, mas acho que faz sentido: guardar beijos para mim.
Agora este negócio de Brotherhood of Man é que é meio esquisito.

http://www.everyhit.com/dates

Experimentem.


Já reparou que a Câmara Municipal de Lisboa não gastou assim tanto?

Afinal o rombo foi só de 88 milhões.

quarta-feira, 21 de julho de 2004

Já reparou como se estorou dinheiro na Câmara Municipal de Lisboa?

Gastos dispararam nos últimos dois anos e receitas não aumentaram

Santana deixa dívida de cem milhões a fornecedores na Câmara de Lisboa
 
Anabela Mendes  PÚBLICO

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) enfrenta sérias dificuldades financeiras, com dívidas de 100 milhões de euros a fornecedores que se devem, em grande parte, a um aumento abrupto da despesa e à incapacidade da autarquia, agravada nos últimos dois anos — período que corresponde à presidência de Pedro Santana Lopes —, de gerar receitas com bens de investimento.
O novo presidente da CML, Carmona Rodrigues, está “ciente e preocupado com o problema”. A oposição considera a situação actual “muito grave”. “A CML transitou do ano passado com uma dívida de cerca de 100 milhões de euros a fornecedores e a percepção que temos é a de que a situação financeira, que já não era famosa no ano passado, se agravou muito neste primeiro trimestre. Pensamos que a primeira preocupação de Carmona Rodrigues será a de tentar saldar essas dívidas, pelo menos em parte, e perceber se as contas serão equilibráveis até ao final do ano”, disse ao PÚBLICO o vereador socialista Vasco Franco.
De acordo com fonte municipal, “nestes dois últimos anos existiu um empolamento da receita, o que significou o empolamento total dos orçamentos”. “Isto fica a dever-se à incapacidade de concretização das receitas dos bens de investimento [venda de terrenos, imóveis, habitações, etc.], que têm provocado sucessivos acréscimos nas dívidas aos fornecedores. Em contrapartida, as despesas da autarquia nestes dois anos aumentaram de forma abrupta, o que tem vindo a complicar ainda mais o equilíbrio financeiro da câmara”, garante a mesma fonte. De acordo com este técnico, a situação não foi tão gravosa em 2003, por ainda existir um saldo de gerência (tesouraria), proveniente de 2002, que permitiu o amortecimento da situação. No entanto, como o mesmo não se verificou em 2004, “neste momento vive-se um estrangulamento financeiro da tesouraria que está a trazer grandes problemas à autarquia”, diz a mesma fonte. A solução para este problema, ainda de acordo com aquele técnico, “poderá passar pelo congelamento das dotações, de forma de evitar a continuação do aumento desenfreado da dívida a fornecedores”. Carmona quer aumentar receitas
De acordo com António Abreu, vereador do PCP, o relatório de actividades de 2003 já tinha revelado “baixas taxas de execução, quer da despesa, quer da receita”, ou seja, “demonstrou que a câmara não tinha conseguido pagar obra prometida e não foi capaz, ao mesmo tempo, de gerar as receitas que tinha orçamentado”.“Pedro Santana Lopes, olimpicamente, garantiu que não iria recorrer à banca, submetendo-se às decisões do Governo e não se solidarizando com os seus pares autarcas, que consideravam isso inadmissível. Portanto, anunciou que faria apenas obra correspondente à receita que fosse capaz de gerar. Só que gastou muito mais em espectáculos, publicidade e coisas efémeras, que acumularam dívidas a fornecedores e apenas serviram para emprestar algum prestígio temporário a ele próprio. O resultado está à vista. Neste momento a situação é grave e implica uma gestão cuidadosa, nomeadamente do que irá ser feito com o património municipal”, diz o autarca. “A autarquia tem bens que, directamente ou em operações que envolvam terceiros, podem gerar as mais-valias necessárias para a solução desta crise. É por isso inaceitável ‘cair na boca do lobo’ em operações como a que está para ser protocolada entre a EPUL, o grupo Espírito Santo e a Sociedade Parque Mayer, em que os interesses municipais são secundarizados e há mais-valias de vulto que se escapam, apenas devido à pressa de fazer cumprir, de qualquer modo, uma promessa eleitoral”, conclui António Abreu.
Fonte do gabinete do novo presidente da CML, António Carmona Rodrigues, disse ao PÚBLICO que ele “está ciente e preocupado com o problema”. Para o resolver, segundo a mesma fonte, “pretende actuar no sentido de aumentar as receitas, quer no campo das receitas extraordinárias, que dizem respeito à venda de património, quer na transferência de verbas do Governo para a autarquia, correspondentes a impostos cobrados e que ainda não foram entregues”.